CIRURGIA BUCOMAXILOFACIAL • ORIENTAÇÕES AO PACIENTE
Ter um siso próximo ao nervo alveolar inferior exige atenção ao planejamento, mas não significa que a extração necessariamente provocará uma lesão. O primeiro passo é entender se há indicação de tratamento e quais alternativas oferecem a melhor relação entre benefício e risco para o seu caso.
Ouvir que o dente está “encostado no nervo” pode gerar insegurança. Na consulta, essa informação precisa ser traduzida em decisões concretas: acompanhar, remover o dente inteiro ou considerar uma coronectomia.
O que significa um siso próximo ao nervo alveolar inferior?
O nervo alveolar inferior percorre o interior da mandíbula e participa da sensibilidade dos dentes inferiores, do lábio inferior e do queixo. As raízes de alguns sisos inferiores ficam muito próximas desse trajeto. Nas imagens, avalia-se sobretudo a relação das raízes com o canal ósseo que abriga o nervo.[1,2]
Uma imagem bidimensional pode sugerir proximidade sem esclarecer toda a relação espacial. A interpretação precisa considerar o exame clínico e a pergunta que se deseja responder antes da cirurgia.[3]
Também é necessário separar proximidade anatômica de necessidade de operar. Conheça as situações em que o dente do siso pode ser acompanhado ou precisa ser extraído.
Quais alterações de sensibilidade podem ocorrer?
Uma lesão ou irritação do nervo pode causar dormência, formigamento, redução da sensibilidade e, em alguns casos, ardência ou sensações dolorosas. A alteração pode ser temporária ou persistente. Para o nervo alveolar inferior, a preocupação principal é a sensibilidade do lábio inferior e do queixo do lado operado.[1]
O nervo lingual é outra estrutura próxima dos sisos inferiores. Ele está relacionado à sensibilidade da língua, e sua lesão também pode afetar o paladar. São riscos distintos, que devem ser explicados na avaliação.[4]
O nervo alveolar inferior não é o nervo responsável pelos movimentos da expressão facial. Portanto, alteração sensitiva não é sinônimo de paralisia facial.[2]
O risco não é igual para todos. A relação anatômica com as raízes modifica o risco. Uma porcentagem geral encontrada na internet não substitui a estimativa individual feita pelo cirurgião.[4]
Quando solicitar tomografia computadorizada?
A tomografia de feixe cônico pode detalhar a relação entre as raízes e o canal mandibular em três dimensões. Ela não deve ser solicitada automaticamente para todo siso: é mais útil quando a radiografia convencional deixa uma dúvida relevante e o resultado pode mudar a conduta.[3]
Isso pode envolver a escolha entre remoção completa e coronectomia. Se a decisão já está suficientemente esclarecida pelos exames disponíveis, uma nova imagem pode não acrescentar benefício. A diretriz do Royal College of Surgeons ressalta que realizar tomografia, por si só, não demonstrou reduzir as lesões nervosas pós-operatórias.[3]
Extração convencional ou coronectomia?
Na extração completa, coroa e raízes são removidas. Na coronectomia, remove-se a coroa e mantêm-se intencionalmente as raízes, buscando reduzir o risco de lesão do nervo em casos selecionados de proximidade elevada.[2]
Não é uma técnica indicada para qualquer dente. Infecção ao redor das raízes ou condições que comprometam sua saúde podem tornar a manutenção inadequada. Se as raízes ficarem móveis durante o procedimento, pode ser necessário removê-las.[1]
A coronectomia reduz o risco, mas não o elimina. As raízes podem migrar, ficar expostas ou apresentar problemas que exijam outra intervenção. Por isso, a possibilidade de nova cirurgia e o acompanhamento precisam fazer parte da decisão.[1]
EXPERIÊNCIA CLÍNICA E ACADÊMICA
Odontectomia parcial intencional (OPI)
A coronectomia também é conhecida como odontectomia parcial intencional, ou OPI. O Dr. Marconi Tavares tem experiência clínica e acadêmica nessa técnica, utilizada em casos selecionados de sisos inferiores próximos ao nervo alveolar inferior.
Foi orientador do trabalho “Odontectomia parcial intencional: relato de caso clínico”, publicado como resumo nos anais da XXI Jornada Odontológica da UnB, em 2018, na revista Scientific Investigation in Dentistry (página 70). O trabalho documenta a aplicação da técnica e o acompanhamento de um caso clínico.
Sua trajetória também inclui a coordenação de pesquisa sobre terceiros molares e seu tratamento por OPI no Distrito Federal, registrada no currículo acadêmico no período de 2019 a 2020.
A indicação depende da avaliação individual, das condições do dente e dos exames de imagem. A experiência com a técnica não elimina os riscos nem substitui o acompanhamento após a cirurgia.
Como é realizado o planejamento cirúrgico?
A consulta deve esclarecer o motivo do tratamento, a relação do dente com as estruturas próximas, as alternativas e o que esperar da recuperação. Também é o momento de levar exames anteriores e informar doenças, alergias e todos os medicamentos utilizados.
Uma conversa útil antes de decidir inclui estas perguntas:
- Qual problema estamos tratando neste siso?
- O que pode acontecer se ele for acompanhado?
- Uma tomografia mudaria a escolha do tratamento?
- Sou candidato à coronectomia? Quais são suas limitações?
- Como serão os retornos e o contato em caso de alteração de sensibilidade?
O consentimento deve refletir essa discussão individual, incluindo a possibilidade de mudança de conduta durante a cirurgia. Acompanhamento, extração e coronectomia não são opções intercambiáveis para todos os pacientes.[2,3]
E se o lábio continuar dormente depois da cirurgia?
A anestesia causa dormência por algumas horas. Se a alteração persistir além do período informado pela equipe, ou aparecer uma sensação nova, comunique ao cirurgião prontamente. Ele deverá examinar e registrar a alteração, orientar o acompanhamento e avaliar a necessidade de encaminhamento. Não espere semanas para fazer o primeiro contato.[1,5]
A recuperação varia conforme o tipo de lesão; não é possível prometer um prazo ou recuperação completa. Evite testar a região com objetos pontiagudos ou temperaturas extremas.
Para outros aspectos da recuperação, leia sobre dor após extração e alveolite e sangramento pós-extração.
Perguntas frequentes
Se o siso está perto do nervo, não posso extrair?
A proximidade não proíbe a cirurgia. Ela exige avaliação do risco e das alternativas, incluindo coronectomia quando indicada.[2]
Todo caso precisa de tomografia?
Não. O exame deve responder a uma dúvida que possa modificar o tratamento.[3]
A coronectomia garante que não haverá dormência?
Não. É uma estratégia para reduzir o risco em casos selecionados, sem garantia de ausência de complicações.[1]
É possível apenas acompanhar?
Em algumas situações, sim. Isso depende dos problemas presentes, do risco de mantê-lo e da possibilidade de acompanhamento.[2]
Recebeu a informação de que seu siso está próximo ao nervo?
Uma avaliação em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial permite discutir os exames e as alternativas para o seu caso. Conheça o atendimento do Dr. Marconi Tavares na PróRir Brasília e leve os exames que já possui.
Referências
- UCLH — Wisdom Tooth Surgery: Advice for Patients Considering Coronectomy. Atualizado em junho de 2026.
- BAOMS — Coronectomy.
- Royal College of Surgeons of England — Parameters of care for patients undergoing mandibular third molar surgery.
- BAOMS — Removal of Impacted Wisdom Teeth.
- Newcastle Hospitals NHS — Surgical removal of teeth.
Fontes consultadas em 08/11/2026.
Conteúdo informativo. Não substitui exame clínico e planejamento individual.
