Categoria: Cirurgia Bucomaxilofacial

  • Infecção no dente: quando o inchaço no rosto exige atendimento de urgência?

    Infecção no dente: quando o inchaço no rosto exige atendimento de urgência?

    CIRURGIA BUCOMAXILOFACIAL • ORIENTAÇÕES AO PACIENTE

    Infecção no dente com inchaço no rosto não deve ser tratada apenas como uma dor de dente comum. É preciso identificar a origem, avaliar a extensão e definir se o atendimento pode ocorrer no consultório ou precisa ser hospitalar.

    Este artigo explica os sinais de alerta e por que aliviar os sintomas não é o mesmo que resolver a causa. Se há dificuldade para respirar ou engolir, procure emergência imediatamente.

    Como uma infecção no dente pode causar inchaço no rosto?

    Uma infecção pode começar no interior do dente e alcançar a região ao redor da raiz. Quando há acúmulo de pus, forma-se um abscesso. Dor ao mastigar, sensibilidade ao toque e inchaço na gengiva são apresentações possíveis. Se o processo se estende, pode aparecer aumento de volume na face ou no pescoço.[1,2]

    Cáries, fraturas e problemas nos tecidos de suporte estão entre as condições que precisam ser investigadas. Nem todo rosto inchado tem origem dentária: identificar a causa faz parte da consulta, e não deve depender apenas de fotografias ou mensagens.[1,5]

    O siso também pode estar envolvido?

    Sim. A gengiva que recobre parcialmente um dente em erupção pode inflamar ou infectar, situação chamada pericoronarite. Ela pode provocar dor posterior, gosto desagradável, dificuldade de abertura bucal e, em alguns casos, inchaço facial. O tratamento pode incluir limpeza e irrigação profissional; episódios repetidos podem indicar extração, conforme a avaliação.[6] Saiba mais sobre quando extrair o dente do siso.

    Infecção no dente: quando procurar atendimento de urgência?

    Dor dentária acompanhada de inchaço no rosto merece avaliação urgente, preferencialmente no mesmo dia. Não espere vários dias para observar se melhora sozinha. Mesmo um abscesso aparentemente localizado precisa de tratamento odontológico.[1,2]

    Procure pronto-socorro imediatamente se houver dificuldade para respirar, engolir ou falar; voz abafada; inchaço sob a língua ou no pescoço; dificuldade importante para abrir a boca; inchaço próximo ao olho com dor ocular ou alteração da visão; ou aumento rápido e extenso do volume.[1–3]

    Nessas situações, não aguarde resposta pelo WhatsApp nem uma consulta de rotina. Se não puder se deslocar com segurança, acione o serviço local de emergência. O risco não é medido apenas pela intensidade da dor.

    Febre, mal-estar e piora do estado geral também aumentam a preocupação. A ausência de febre não exclui uma infecção relevante. Pessoas imunossuprimidas exigem avaliação especialmente cuidadosa.[3]

    Por que o antibiótico sozinho pode não resolver?

    O antibiótico não limpa o interior de um canal infectado nem remove um dente sem possibilidade de recuperação. Ele pode integrar o tratamento, mas a conduta precisa incluir o controle da origem da infecção. A melhora temporária dos sintomas não deve ser confundida com a conclusão do tratamento.[4,5]

    As recomendações profissionais priorizam intervenções odontológicas nos quadros localizados em pacientes com resposta imunológica normal. Antibióticos podem ser necessários quando a infecção se dissemina, há repercussão geral ou outras condições clínicas justificam sua utilização. Quando não é possível obter drenagem imediata, a conduta também precisa ser individualizada.[2–4]

    Isso não significa recusar antibióticos quando indicados. Significa usá-los com critério e junto ao tratamento necessário. Uso inadequado pode causar efeitos adversos e contribuir para resistência bacteriana. Não use sobras, não compartilhe receitas e não altere uma prescrição sem orientação.[4]

    Drenagem, canal ou extração: como é escolhido o tratamento?

    A escolha depende de onde está a infecção, da possibilidade de preservar o dente e das condições para realizar o procedimento com segurança.

    Drenagem

    Quando existe pus acumulado, pode ser necessário criar uma via de saída, pelo próprio dente ou por uma incisão nos tecidos. É um procedimento profissional; não tente furar ou espremer o local.[2]

    Tratamento de canal

    Busca remover o tecido infectado do interior do dente, limpar o sistema de canais e selá-lo. Pode permitir a preservação do dente, mas exige conclusão das etapas planejadas e, quando indicada, restauração ou coroa.[5] Conheça o atendimento de Endodontia em Brasília.

    Extração

    Pode ser indicada quando a manutenção do dente não é viável ou adequada. A existência de infecção não cria uma regra universal de “tomar remédio e esperar desinchar”: o momento da intervenção é definido pela avaliação clínica.[2,3]

    Quando o atendimento hospitalar pode ser necessário?

    Infecções que atingem regiões profundas, ameaçam a respiração ou apresentam sinais de gravidade exigem encaminhamento hospitalar. Limitação importante da abertura bucal, inchaço do assoalho da boca e dificuldade para engolir estão entre os alertas.[3]

    Nem todo abscesso precisa de internação. O ponto decisivo é reconhecer quando o quadro ultrapassa as condições seguras de tratamento ambulatorial. A Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial participa da avaliação e do tratamento cirúrgico dessas situações, conforme a estrutura do serviço.

    O que fazer enquanto busca atendimento?

    Organize o atendimento sem adiar por conta de uma melhora passageira. Leve a lista de medicamentos, alergias e informações sobre doenças ou tratamentos em andamento. Se já foi atendido e houver piora, procure reavaliação; não espere acabar o antibiótico para pedir ajuda.[3]

    Se consegue engolir normalmente, alimentos macios e higiene delicada podem reduzir o desconforto enquanto aguarda a consulta. Evite temperaturas que agravem a dor. Medidas de conforto não tratam a origem da infecção.[1]

    Perguntas frequentes

    Infecção no dente pode causar inchaço no rosto?

    Sim. Uma infecção de origem dentária pode atingir os tecidos próximos e causar inchaço na face. Isso exige avaliação odontológica urgente; dificuldade para respirar ou engolir exige pronto-socorro imediato.

    Antibiótico sozinho resolve o abscesso dentário?

    Pode ser necessário, mas não substitui o tratamento da origem. Conforme o diagnóstico, são indicados drenagem, tratamento de canal ou extração.

    É preciso esperar desinchar para tratar o dente?

    Não é uma regra. Adiar o tratamento da causa pode manter a infecção. O profissional decide o momento e o ambiente adequados conforme a segurança e a gravidade.

    Se não tenho febre, posso esperar?

    Não use a ausência de febre como garantia de segurança. Inchaço progressivo e alterações para abrir a boca, engolir ou respirar precisam ser valorizados.

    Todo dente com infecção precisa ser extraído?

    Não. Quando o dente pode ser preservado, o tratamento de canal pode ser uma opção. A indicação depende do diagnóstico e das condições do dente e de seus tecidos de suporte.

    AVALIAÇÃO EM BRASÍLIA

    O primeiro passo é identificar a causa.

    Para avaliação odontológica e em Cirurgia Bucomaxilofacial, conheça o atendimento do Dr. Marconi Tavares na PróRir Brasília. Informe à equipe se há dor e inchaço para receber orientação sobre a disponibilidade de atendimento.

    Informações para avaliação

    Agendamento não substitui emergência: diante dos sinais graves descritos, procure pronto-socorro sem esperar retorno da clínica.

    Dr. Marconi Tavares, cirurgião bucomaxilofacial em Brasília

    SOBRE O AUTOR

    Dr. Marconi Tavares

    Cirurgião-Dentista com atuação em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial.

    Cirurgião-dentista formado pela Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FORP-USP), com Residência e Mestrado em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial pela FORP-USP e Doutorado pela Universidade de Brasília (UnB). Atua em Cirurgia Bucomaxilofacial, Implantodontia e Harmonização Orofacial em Brasília.

    Nota: conteúdo informativo. Não substitui exame clínico, diagnóstico ou prescrição individual. Não inicie, suspenda ou modifique medicamentos sem orientação profissional.

  • Sangramento após extração de dente: o que é normal e quando se preocupar?

    Sangramento após extração de dente: o que é normal e quando se preocupar?

    CIRURGIA BUCOMAXILOFACIAL • ORIENTAÇÕES AO PACIENTE

    Sangramento após extração de dente pode ocorrer em pequena quantidade sem representar uma hemorragia. Um pouco de sangue misturado à saliva ou uma saída discreta pelo local operado é diferente de sangramento ativo, persistente e volumoso. Saber reconhecer essa diferença ajuda a proteger a cicatrização e a buscar atendimento no momento certo.

    As orientações abaixo não substituem as recomendações específicas do profissional que realizou a cirurgia. Se a boca está enchendo de sangue ou há dificuldade para respirar ou engolir, procure emergência agora.

    O que pode ser considerado normal após uma extração?

    Após a retirada do dente, fica uma cavidade no osso chamada alvéolo. Nesse local, a formação de um coágulo ajuda a interromper a saída de sangue. Nas primeiras horas, podem ocorrer saliva rosada e um pequeno escape de sangue, às vezes descrito como oozing: uma saída discreta, sem fluxo intenso.

    A mistura com saliva pode fazer uma pequena quantidade de sangue parecer maior. Por isso, importa observar a intensidade, a continuidade e a resposta à pressão, não apenas a cor da saliva. Um discreto sangramento que diminui é diferente de sangue acumulando continuamente na boca.

    Desconforto e edema também podem fazer parte da recuperação. O inchaço pode aumentar nos primeiros dois a três dias e depois começar a regredir. A evolução varia conforme a complexidade da cirurgia, o número de dentes removidos e as condições do paciente. Dor intensa, piora progressiva ou sinais de infecção não devem ser atribuídos automaticamente ao pós-operatório habitual.

    Na extração de sisos e dentes inclusos, por exemplo, o planejamento e as orientações precisam considerar a extensão da intervenção.

    Por que o coágulo é tão importante?

    O coágulo funciona como uma barreira inicial na ferida: plaquetas e fibrina participam da hemostasia, isto é, do controle do sangramento. Ele também integra o ambiente em que começa a cicatrização. Não é sujeira que precisa ser removida.

    Nas primeiras 24 horas, proteja esse local:

    • evite cuspir repetidamente;
    • não faça bochechos vigorosos;
    • não mexa no alvéolo com a língua, os dedos ou objetos.

    A tentativa de “limpar o buraco” pode deslocar o coágulo e fazer o local voltar a sangrar. Retome a higiene conforme a orientação recebida, sem traumatizar a ferida.

    O que fazer se o local voltar a sangrar?

    Se houver sangramento leve e você estiver bem, uma das primeiras medidas é a compressão direta:

    1. Permaneça sentado, com a cabeça elevada.
    2. Dobre uma gaze limpa e umedeça levemente com água limpa ou soro fisiológico, sem encharcar.
    3. Coloque a gaze diretamente sobre o local da extração, sem empurrá-la para dentro do alvéolo.
    4. Morda com pressão firme e contínua por aproximadamente 20–30 minutos.
    5. Não retire repetidamente a gaze para verificar: isso interrompe a compressão.

    Se não usa anticoagulante ou antiagregante, não apresenta sinais graves e o sangramento continua, repita a compressão uma vez. Se não controlar, procure atendimento odontológico de urgência. Não durma com a gaze na boca.

    Se usa anticoagulante ou antiagregante: procure avaliação de urgência se a primeira compressão não controlar o sangramento ou se ele voltar. Não fique repetindo tentativas em casa. Se houver sangramento intenso, fraqueza importante ou dificuldade para respirar, procure emergência imediatamente.

    Evite exercício físico, álcool, tabaco e bebidas muito quentes. Depois de controlar o sangramento, mantenha os cuidados para preservar o coágulo, especialmente nas 24 horas seguintes. Não use medicamentos, produtos caseiros ou substâncias dentro da ferida por iniciativa própria.

    Quando o sangramento após extração de dente deixa de ser esperado?

    Não existe um prazo único que torne todo sangramento “normal”. A quantidade, a persistência e os sintomas associados são decisivos. Procure avaliação diante de:

    • sangue vermelho vivo em fluxo contínuo;
    • boca enchendo de sangue;
    • formação repetida de coágulos volumosos;
    • persistência apesar da compressão adequada;
    • tontura, fraqueza ou sensação de desmaio;
    • dificuldade para respirar ou engolir.

    ATENÇÃO À URGÊNCIA

    Não espere uma consulta de rotina se o sangramento for intenso.

    Boca enchendo rapidamente de sangue, dificuldade para respirar ou engolir, desmaio ou fraqueza importante exigem atendimento imediato em pronto-socorro. Não espere completar duas tentativas de compressão nem aguarde resposta por mensagem. Se não puder se deslocar com segurança, acione o serviço de emergência. Não dirija se estiver tonto ou fraco.

    Mesmo sem esses sinais graves, sangramento persistente após a compressão precisa de avaliação odontológica de urgência. Se surgir novamente dias depois e vier acompanhado de febre, secreção, dor crescente ou aumento do inchaço, pode haver infecção ou outra complicação. Procure o profissional para identificar a causa; não inicie antibiótico por conta própria.

    E quem usa anticoagulantes ou antiagregantes?

    Não suspenda o medicamento por conta própria. A proteção contra trombose e outros eventos cardiovasculares precisa ser considerada junto com o risco de sangramento. Interromper uma medicação prescrita pode trazer consequências graves.

    A decisão depende do fármaco, da dose, do procedimento realizado, das condições clínicas e do risco tromboembólico. Informe todos os medicamentos em uso, inclusive associações e mudanças recentes. O cirurgião pode precisar conversar com o médico responsável.

    Medidas hemostáticas locais têm papel central no controle do sangramento. Usar esses medicamentos não significa, automaticamente, que a cirurgia é proibida ou que o tratamento deve ser interrompido.

    Leia também: Anticoagulantes e cirurgia odontológica: é preciso suspender o medicamento?

    Como o cirurgião controla o sangramento?

    O tratamento começa pela identificação da origem do sangramento. Nem sempre o problema está apenas no alvéolo: os tecidos ao redor e as condições gerais também precisam ser avaliados.

    • Compressão: pressão aplicada corretamente sobre o ponto de sangramento.
    • Revisão do alvéolo: inspeção profissional da ferida para localizar a causa e definir a conduta. Não é uma manobra para o paciente realizar em casa.
    • Agentes hemostáticos locais: materiais próprios, como celulose oxidada ou esponjas de colágeno, podem ajudar no controle.
    • Sutura: pontos podem aproximar tecidos e estabilizar as bordas da ferida e os materiais utilizados.
    • Avaliação sistêmica: revisão de medicamentos, doenças e necessidade de exames.

    Outras medidas, contato com o médico ou encaminhamento hospitalar podem ser necessários conforme a intensidade e a causa. O objetivo é controlar o episódio e reduzir a chance de recorrência.

    Resumo prático

    • Pequena quantidade de sangue ou oozing não significa necessariamente hemorragia.
    • Pressão firme e contínua é uma das primeiras medidas.
    • Sangramento persistente exige avaliação; sinais graves exigem atendimento imediato.
    • Anticoagulantes e antiagregantes não devem ser suspensos sem orientação profissional.

    Perguntas frequentes

    É normal sangrar no dia da extração?

    Uma pequena quantidade de sangue misturada à saliva pode ocorrer no dia da extração. Saliva rosada não equivale, por si só, a hemorragia. Já sangue em fluxo contínuo, boca enchendo de sangue ou sangramento que não cede à compressão exigem avaliação.

    Quanto tempo devo pressionar a gaze?

    Mantenha pressão firme e contínua por aproximadamente 20–30 minutos, sem retirar a gaze repetidamente. Se não usa anticoagulantes ou antiagregantes e não apresenta sinais graves, pode repetir uma vez. Se persistir, procure atendimento. Quem usa esses medicamentos deve procurar avaliação se a primeira compressão falhar ou se o sangramento voltar.

    Posso cuspir ou fazer bochecho?

    Nas primeiras 24 horas, evite cuspir repetidamente, fazer bochechos vigorosos ou tocar no alvéolo. Esses hábitos podem deslocar o coágulo. Siga a orientação individual do cirurgião para retomar a higiene.

    Quem toma anticoagulante deve suspender o remédio?

    Não suspenda, reduza nem altere o horário por conta própria. A conduta considera o medicamento, o procedimento, as condições clínicas e o risco de trombose; pode exigir discussão entre o cirurgião-dentista e o médico prescritor.

    AVALIAÇÃO EM BRASÍLIA

    Precisa de avaliação após uma extração?

    Se o sangramento persistir, entre em contato com o profissional que realizou a cirurgia ou procure um serviço odontológico de urgência. Para avaliação em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial em Brasília, conheça o atendimento do Dr. Marconi Tavares.

    Informações para avaliação

    O agendamento não substitui atendimento de emergência. Diante dos sinais graves descritos acima, dirija-se imediatamente a um pronto-socorro.

    Dr. Marconi Tavares, cirurgião bucomaxilofacial em Brasília

    SOBRE O AUTOR

    Dr. Marconi Tavares

    Cirurgião-Dentista com atuação em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial.

    Cirurgião-dentista formado pela Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FORP-USP), com Residência e Mestrado em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial pela FORP-USP e Doutorado pela Universidade de Brasília (UnB). Atua em Cirurgia Bucomaxilofacial, Implantodontia e Harmonização Orofacial em Brasília.

    Nota: conteúdo informativo, sem diagnóstico ou prescrição individual. Não suspenda medicamentos nem inicie tratamentos por conta própria.

  • Anticoagulantes e cirurgia odontológica: é preciso suspender o medicamento?

    Anticoagulantes e cirurgia odontológica: é preciso suspender o medicamento?

    CIRURGIA BUCOMAXILOFACIAL

    Anticoagulantes e cirurgia odontológica geram uma dúvida frequente: é preciso suspender o medicamento antes do procedimento? Na maioria das situações odontológicas, o paciente não deve suspender o anticoagulante por conta própria. O risco de sangramento precisa ser avaliado, mas interromper um medicamento que protege contra trombose, embolia ou acidente vascular cerebral também pode produzir consequências graves. A conduta correta nasce do equilíbrio entre esses dois riscos.

    A pergunta não é apenas “o medicamento aumenta o sangramento?”. É preciso saber qual medicamento está sendo usado, por que foi prescrito, qual procedimento será realizado e quais medidas locais podem controlar o sangramento com segurança.

    Por que os anticoagulantes são utilizados?

    Anticoagulantes reduzem a formação ou a progressão de coágulos dentro dos vasos. Eles podem ser prescritos, por exemplo, para pacientes com fibrilação atrial, histórico de trombose venosa profunda ou embolia pulmonar, próteses valvares e outras condições com risco tromboembólico.

    Isso explica por que a simples suspensão antes de uma extração ou cirurgia não é uma decisão neutra. Ao diminuir a proteção oferecida pelo medicamento, o paciente pode ficar exposto ao problema cardiovascular ou vascular que motivou o tratamento.

    Anticoagulante e antiagregante plaquetário são a mesma coisa?

    Anticoagulantes

    Atuam sobre etapas da coagulação. Entre os exemplos estão varfarina, apixabana, rivaroxabana, dabigatrana e edoxabana.

    Antiagregantes plaquetários

    Reduzem a agregação das plaquetas. Ácido acetilsalicílico, clopidogrel, prasugrel e ticagrelor fazem parte desse grupo.

    A distinção importa porque cada classe tem características próprias. Além disso, alguns pacientes usam combinações de medicamentos, o que exige avaliação ainda mais individualizada.

    Anticoagulantes e cirurgia odontológica: é preciso suspender?

    Não existe uma resposta única para todos os pacientes e todos os procedimentos. Entretanto, diretrizes odontológicas destacam que, para muitos procedimentos com sangramento controlável por medidas locais, os antitrombóticos podem ser mantidos. A decisão depende do risco hemorrágico do procedimento, do medicamento, da dose, do horário de uso, da função renal, de outras doenças e de medicamentos associados.

    O paciente nunca deve retirar, reduzir, antecipar ou atrasar uma dose sem orientação profissional específica. Quando alguma adaptação é necessária, ela deve ser planejada pelo cirurgião-dentista e, conforme o caso, discutida com o médico responsável pela prescrição.

    O risco de sangramento depende do procedimento

    Menor risco

    Procedimentos não invasivos, anestesia local em áreas apropriadas, restaurações e outras intervenções que não costumam produzir sangramento relevante.

    Risco intermediário

    Extrações simples e procedimentos cirúrgicos limitados podem demandar planejamento do horário e medidas locais de hemostasia.

    Maior risco

    Cirurgias extensas, múltiplas extrações, grandes retalhos ou procedimentos em áreas amplas exigem avaliação individual e planejamento mais detalhado.

    Na avaliação de anticoagulantes e cirurgia odontológica, o tamanho do procedimento não é o único fator. Uma extração aparentemente simples pode ter risco diferente quando há inflamação extensa, dificuldade cirúrgica, doença hepática ou renal, alteração hematológica, hipertensão descontrolada ou associação de diferentes fármacos.

    O que muda conforme o medicamento?

    Varfarina

    Em pacientes que utilizam varfarina, o efeito anticoagulante pode ser acompanhado pelo INR. A proximidade e a validade do exame, a estabilidade dos resultados e o tipo de cirurgia são considerados no planejamento. Um resultado isolado não deve ser interpretado fora do contexto clínico.

    Anticoagulantes orais diretos

    Apixabana, rivaroxabana, dabigatrana e edoxabana apresentam início e duração de efeito diferentes da varfarina. Para intervenções de baixo risco, muitas vezes não é necessária suspensão. Em procedimentos com maior possibilidade de sangramento, o horário da dose pode precisar ser avaliado. Função renal, posologia e horário habitual de uso fazem parte dessa decisão.

    Antiagregantes plaquetários

    Medicamentos como ácido acetilsalicílico e clopidogrel também não devem ser interrompidos automaticamente. Essa precaução é especialmente importante quando foram prescritos após colocação de stent ou em pessoas com risco cardiovascular relevante. Mesmo quando há terapia dupla, o planejamento deve ser compartilhado quando necessário, sem suspensão unilateral.

    Como o sangramento pode ser controlado no consultório?

    O planejamento de anticoagulantes e cirurgia odontológica inclui medidas para reduzir e controlar o sangramento. Grande parte dos episódios de sangramento odontológico pode ser controlada com técnica cuidadosa e medidas locais. O planejamento pode incluir:

    • realização do procedimento no início do dia e, quando possível, no começo da semana;
    • técnica cirúrgica atraumática;
    • compressão local adequada;
    • uso de materiais hemostáticos dentro do alvéolo ou da ferida;
    • sutura quando indicada;
    • limitação da extensão do procedimento por sessão;
    • orientações pós-operatórias claras e canal de contato para intercorrências.

    O objetivo não é eliminar completamente a possibilidade de sangramento, mas prever o risco e garantir que ele seja controlável com os recursos adequados.

    INTEGRAÇÃO COM A SCIORA

    Quer entender o que acontece na hemostasia?

    Para profissionais e estudantes, o artigo da Sciora explica as vias da coagulação, a formação do coágulo e a interpretação de TP e TTPa de maneira aplicada à prática odontológica.

    Ler o artigo técnico na Sciora

    Quando é necessário conversar com o médico?

    O contato com o médico prescritor pode ser necessário quando o procedimento tem maior risco hemorrágico, quando existe combinação de anticoagulante e antiagregante, instabilidade clínica, insuficiência renal ou hepática relevante, alteração recente da medicação, dúvida sobre a indicação do fármaco ou necessidade de uma mudança temporária no esquema.

    Essa comunicação não serve para simplesmente pedir “autorização para suspender”. Ela deve apresentar o procedimento planejado, o risco esperado e a dúvida clínica objetiva, permitindo uma decisão compartilhada.

    Perguntas frequentes

    Posso deixar de tomar o anticoagulante no dia da extração?

    Não faça isso por conta própria. A manutenção ou eventual adaptação depende do medicamento, da dose, do horário, do motivo do tratamento e do risco de sangramento do procedimento.

    Todo paciente que usa varfarina precisa fazer INR?

    O INR faz parte da avaliação da varfarina, mas a necessidade e o momento do exame dependem da estabilidade do tratamento e do procedimento previsto. O cirurgião-dentista orientará conforme o caso.

    Rivaroxabana e apixabana exigem os mesmos cuidados?

    São anticoagulantes orais diretos, porém têm posologias e características farmacológicas próprias. O horário das doses e a função renal precisam ser considerados individualmente.

    Usar anticoagulante impede a colocação de implantes?

    Não necessariamente. É preciso avaliar extensão da cirurgia, necessidade de enxertos, condições sistêmicas e possibilidade de controle local do sangramento.

    O dentista pode decidir sozinho suspender o medicamento?

    O cirurgião-dentista avalia o risco odontológico. Quando uma mudança do esquema antitrombótico é cogitada, a decisão deve considerar a indicação médica e pode exigir contato com o prescritor.

    PRÓXIMO PASSO

    Usa anticoagulante e precisa realizar uma cirurgia odontológica?

    Leve a lista completa de medicamentos, doses, horários de uso, exames recentes e informações sobre o motivo da anticoagulação. Com esses dados, é possível planejar o procedimento com mais segurança.

    Agende sua avaliação

    Fale com a recepção da PróRir Brasília e agende uma avaliação em Cirurgia Bucomaxilofacial com o Dr. Marconi Tavares.

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    Dr. Marconi Tavares, cirurgião bucomaxilofacial em Brasília

    SOBRE O AUTOR

    Marconi Tavares

    Cirurgião Bucomaxilofacial • Especialista em Implantodontia e Harmonização Orofacial • Mestre em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial • Doutor pela Universidade de Brasília

    Cirurgião-dentista formado pela Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FORP-USP), com Residência e Mestrado em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial pela FORP-USP e Doutorado pela Universidade de Brasília (UnB). Atua em Cirurgia Bucomaxilofacial, Implantodontia e Harmonização Orofacial em Brasília.


    Nota: este conteúdo tem caráter informativo e não substitui consulta, diagnóstico, exames ou planejamento profissional individualizado. Não suspenda ou altere medicamentos prescritos sem orientação dos profissionais responsáveis.

  • Quando um Procedimento em Cirurgia Bucomaxilofacial Exige Suporte Hospitalar?

    Quando um Procedimento em Cirurgia Bucomaxilofacial Exige Suporte Hospitalar?

    CIRURGIA BUCOMAXILOFACIAL

    A cirurgia bucomaxilofacial hospitalar é necessária quando a complexidade, a técnica anestésica ou as condições do paciente exigem suporte que vai além do consultório. Algumas situações — pela necessidade de sedação ou anestesia geral, ou por se tratarem de uma urgência — exigem estrutura hospitalar. Entender essa diferença ajuda o paciente a compreender por que o mesmo diagnóstico pode levar a ambientes de tratamento completamente diferentes.

    O ambiente de tratamento faz parte do planejamento, não é um detalhe. Definir se um procedimento pode ser feito em consultório, em cirurgia ambulatorial ou exige centro cirúrgico hospitalar é parte da avaliação clínica, tanto quanto o diagnóstico em si.

    Cirurgia bucomaxilofacial hospitalar: consultório, ambulatório ou hospital?

    A maior parte dos procedimentos em Cirurgia Bucomaxilofacial — como a remoção de sisos, pequenas biópsias ou tratamentos de infecções localizadas — pode ser realizada em consultório ou em ambiente de cirurgia ambulatorial, com anestesia local. Já procedimentos de maior porte, que exigem sedação profunda, anestesia geral, ou que envolvem risco de complicações que precisam de suporte imediato, costumam exigir centro cirúrgico hospitalar.

    Consultório e ambulatório

    Procedimentos de menor complexidade, geralmente com anestesia local, sem necessidade de suporte hospitalar imediato.

    Ambiente hospitalar

    Procedimentos de maior porte, sedação profunda ou anestesia geral, comorbidades relevantes, ou situações de urgência que exigem suporte multiprofissional.

    Situações que costumam exigir estrutura hospitalar

    A indicação de cirurgia bucomaxilofacial hospitalar depende do diagnóstico e das características individuais do caso. Entre as situações que mais frequentemente precisam dessa estrutura estão:

    Cirurgia Ortognática

    Envolve anestesia geral e reposicionamento dos ossos maxilares, exigindo centro cirúrgico e acompanhamento pós-operatório imediato.

    Trauma facial

    Fraturas da face podem exigir avaliação de urgência, exames de imagem e, em muitos casos, cirurgia hospitalar.

    Infecções extensas

    Infecções odontogênicas que se espalham para espaços da face e do pescoço podem exigir internação e drenagem em ambiente hospitalar.

    Reconstruções ósseas complexas

    Procedimentos reconstrutivos de maior porte costumam exigir centro cirúrgico e, em alguns casos, período de internação.

    Remoção de patologias extensas

    Cistos ou tumores de maior extensão podem exigir cirurgia hospitalar, dependendo do tamanho e da localização.

    Pacientes com comorbidades

    Condições de saúde associadas podem exigir suporte hospitalar mesmo em procedimentos que, isoladamente, seriam ambulatoriais.

    Por que ter acesso à estrutura hospitalar importa

    Quando um caso necessita de cirurgia bucomaxilofacial hospitalar, o acesso do cirurgião ao ambiente hospitalar favorece a continuidade do acompanhamento e o planejamento adequado do tratamento. Isso é especialmente relevante em procedimentos eletivos de maior porte e em situações de urgência.

    Ter capacitação técnica e acesso ao ambiente hospitalar, tanto para procedimentos eletivos planejados com antecedência quanto para situações de urgência, permite que o mesmo profissional conduza o caso do início ao fim, independente da complexidade que ele venha a assumir.

    ATUAÇÃO HOSPITALAR

    Acesso à rede privada e pública em Brasília

    Integro o corpo clínico de hospitais particulares em Brasília e, como servidor da Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) desde 2016, atuo no Hospital Regional de Santa Maria (HRSM), com acesso à rede hospitalar pública — inclusive para urgências bucomaxilofaciais.

    Conhecer a estrutura hospitalar disponível

    Perguntas frequentes

    Toda cirurgia bucomaxilofacial precisa de hospital?

    Não. A maior parte dos procedimentos é realizada em consultório ou em cirurgia ambulatorial. O ambiente depende da complexidade do caso, da técnica anestésica e das condições de saúde do paciente.

    Como saber se meu caso vai precisar de hospital?

    Essa definição faz parte do planejamento cirúrgico, feito durante a avaliação clínica, considerando diagnóstico, exames, complexidade do procedimento e condições gerais de saúde.

    Uma urgência bucomaxilofacial pode ser atendida fora do horário comercial?

    Situações de urgência podem exigir avaliação e conduta imediatas. O encaminhamento e o ambiente adequado dependem da gravidade e das características de cada caso.

    Plano de saúde ou SUS têm acesso à mesma estrutura?

    O acesso à rede privada e à rede pública segue fluxos distintos, e as condições de cobertura devem ser verificadas conforme o vínculo de cada paciente.

    PRÓXIMO PASSO

    Seu caso pode precisar de suporte hospitalar?

    Uma avaliação inicial permite entender a complexidade do caso e o ambiente mais adequado para o tratamento.

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    Fale com a recepção e agende uma avaliação em Cirurgia Bucomaxilofacial com o Dr. Marconi Tavares.

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    Dr. Marconi Tavares, cirurgião bucomaxilofacial em Brasília

    SOBRE O AUTOR

    Marconi Tavares

    Cirurgião Bucomaxilofacial • Especialista em Harmonização Orofacial • Mestre em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial • Doutor pela Universidade de Brasília

    Cirurgião-dentista formado pela Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FORP-USP), com Residência e Mestrado em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial pela FORP-USP, Doutorado pela Universidade de Brasília (UnB) e especialização em Harmonização Orofacial. Atua em Cirurgia Bucomaxilofacial, Implantodontia e Harmonização Orofacial, integrando prática clínica, anatomia, planejamento facial, ensino e produção científica.


    Nota: este conteúdo tem caráter informativo e não substitui consulta, diagnóstico, exames ou planejamento profissional individualizado.

  • Cirurgia Ortognática ou Compensação Ortodôntica: Qual é o Seu Caso?

    Cirurgia Ortognática ou Compensação Ortodôntica: Qual é o Seu Caso?

    CIRURGIA ORTOGNÁTICA

    Nem todo desalinhamento entre os dentes e a mordida se resolve apenas com aparelho. Quando a alteração tem origem no crescimento dos ossos da face — e não apenas na posição dos dentes — o tratamento ortodôntico sozinho pode até melhorar a aparência dos dentes alinhados, mas não corrige o problema real. Entender a diferença entre um caso cirúrgico e um caso de compensação ortodôntica é essencial antes de iniciar qualquer tratamento.

    O ponto central deste artigo: quando o diagnóstico aponta para necessidade de cirurgia ortognática, tentar resolver o caso apenas com compensação ortodôntica tende a gerar consequências que só aparecem meses ou anos depois — e que podem ser mais difíceis de reverter do que o problema original.

    O que é um caso cirúrgico?

    Um caso é considerado cirúrgico quando existe uma discrepância entre os ossos maxilares — maxila e mandíbula — que vai além do que a movimentação dentária consegue disfarçar. Isso pode se manifestar como uma mandíbula muito à frente ou muito recuada em relação à maxila, uma face desproporcional entre os terços, mordida aberta esquelética, ou assimetrias faciais. Nesses casos, os dentes até podem ser alinhados dentro de cada arcada, mas a relação entre as duas arcadas — e entre os ossos que as sustentam — continua desproporcional.

    Cirurgia ortognática x compensação ortodôntica

    Tratamento cirúrgico-ortodôntico

    Combina Ortodontia e Cirurgia Ortognática. Os dentes são preparados para a posição final correta, a cirurgia reposiciona os ossos maxilares, e a Ortodontia finaliza o encaixe. O resultado trata a causa esquelética do problema.

    Compensação ortodôntica

    Move os dentes dentro do osso para tentar disfarçar visualmente uma discrepância que, na verdade, é esquelética. Os dentes se inclinam para compensar uma base óssea que permanece desproporcional.

    Sinais de que o caso pode ser cirúrgico

    Desproporção facial visível

    Queixo muito à frente, muito recuado, ou assimetria perceptível entre os lados do rosto.

    Dificuldade para fechar os lábios

    Esforço muscular constante para manter a boca fechada em repouso.

    Mordida muito aberta ou muito fechada

    Dentes anteriores que não se tocam, ou sobremordida acentuada.

    Dificuldade mastigatória importante

    Dificuldade para morder ou cortar alimentos com os dentes da frente.

    Padrão de crescimento familiar

    Histórico de parentes com características faciais semelhantes e tratamento cirúrgico prévio.

    Diagnóstico por documentação

    Radiografias e análise cefalométrica confirmando origem esquelética, não apenas dentária.

    Nenhum desses sinais isoladamente confirma a necessidade de cirurgia — essa conclusão depende de documentação ortodôntica completa, incluindo radiografias e análise da proporção entre os ossos da face. Mas a presença de vários desses sinais é o momento de buscar uma avaliação específica antes de iniciar qualquer aparelho.

    POR QUE ISSO IMPORTA

    Os riscos de compensar um caso que é cirúrgico

    Quando um paciente com diagnóstico cirúrgico opta por tentar resolver o caso apenas com Ortodontia compensatória, o aparelho consegue disfarçar o problema por um tempo — mas a base óssea desproporcional continua ali. Os efeitos abaixo não são hipotéticos: são consequências mecânicas previsíveis de mover dentes além dos limites que o osso e os tecidos de suporte permitem.

    Prejuízo estético

    A compensação ortodôntica alinha os dentes, mas não corrige a posição dos ossos da face. Com frequência, o perfil e a proporção facial permanecem desarmônicos mesmo depois de anos de aparelho — porque o problema nunca esteve apenas nos dentes.

    Problemas periodontais

    Para compensar uma discrepância óssea, os dentes muitas vezes precisam ser inclinados além do envelope ósseo que os sustenta. Isso pode levar as raízes a se aproximarem ou ultrapassarem a cortical óssea, favorecendo recessão gengival, perda de osso de suporte e maior fragilidade periodontal ao longo do tempo.

    Inclinação excessiva dos dentes

    Dentes muito inclinados para compensar a base óssea ficam biomecanicamente desfavorecidos: recebem forças de mordida fora do eixo ideal, o que aumenta o desgaste, o risco de trauma oclusal e, a longo prazo, pode comprometer a estabilidade do próprio dente.

    Ineficiência mastigatória

    Como a relação entre as arcadas continua desproporcional, o contato entre os dentes superiores e inferiores nunca se torna ideal. O paciente pode mastigar de forma menos eficiente mesmo com os dentes individualmente alinhados, porque o encaixe global da mordida não foi corrigido.

    Problemas na articulação temporomandibular (ATM)

    Quando a mandíbula é forçada a se posicionar de forma compensatória para tentar um encaixe dentário aceitável, a articulação temporomandibular pode ser sobrecarregada de maneira crônica. Isso está associado a dor, estalos, limitação de abertura bucal e desgaste articular em alguns pacientes.

    Perguntas frequentes

    Toda cirurgia ortognática exige aparelho antes?

    Sim, na abordagem convencional. A fase ortodôntica pré-cirúrgica prepara os dentes para a posição final, antes do reposicionamento ósseo.

    É possível saber com certeza se o caso é cirúrgico sem consulta?

    Não. Essa definição depende de documentação ortodôntica completa e avaliação clínica — não é possível concluir isso apenas observando o rosto ou os dentes.

    Compensar sempre dá errado?

    Nem todo caso limítrofe é contraindicado para compensação — em discrepâncias discretas, a compensação pode ser uma opção válida. O risco descrito neste artigo se aplica a casos com diagnóstico cirúrgico claro, nos quais a compensação tenta disfarçar uma discrepância que o aparelho sozinho não tem capacidade de resolver.

    Depois de anos compensando, ainda dá para operar?

    Em muitos casos, sim, mas o planejamento pode ser mais complexo, já que é necessário reverter parte da inclinação dentária compensatória antes de preparar o caso para a cirurgia.

    CIRURGIA E TRAUMATOLOGIA BUCOMAXILOFACIAL

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    A avaliação inclui exame clínico, documentação ortodôntica e análise da proporção entre os ossos da face, para definir com precisão se o seu caso é cirúrgico ou pode ser tratado apenas com Ortodontia.

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    Dr. Marconi Tavares, cirurgião bucomaxilofacial em Brasília

    SOBRE O AUTOR

    Marconi Tavares

    Cirurgião Bucomaxilofacial • Especialista em Harmonização Orofacial • Mestre em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial • Doutor pela Universidade de Brasília

    Cirurgião-dentista formado pela Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FORP-USP), com Residência e Mestrado em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial pela FORP-USP, Doutorado pela Universidade de Brasília (UnB) e especialização em Harmonização Orofacial. Atua em Cirurgia Bucomaxilofacial, Implantodontia e Harmonização Orofacial, integrando prática clínica, anatomia, planejamento facial, ensino e produção científica.


    Nota: este conteúdo tem caráter informativo e não substitui consulta, diagnóstico, exames ou planejamento profissional individualizado. A indicação entre tratamento cirúrgico e compensação ortodôntica depende sempre de avaliação clínica e documentação específica.

  • Dente do siso: quando precisa extrair e quando pode ser acompanhado?

    Dente do siso: quando precisa extrair e quando pode ser acompanhado?

    CIRURGIA BUCOMAXILOFACIAL

    Os dentes do siso, também chamados de terceiros molares, são os últimos dentes permanentes a se desenvolver. Uma das dúvidas mais comuns é: afinal, todo siso precisa ser retirado?

    A resposta é não. A decisão entre extrair ou acompanhar um terceiro molar depende da posição do dente, das condições dos tecidos ao redor, da presença de doença, da relação com os dentes vizinhos, da possibilidade de higienização e de outros fatores identificados durante a avaliação clínica e radiográfica.

    O que é um dente do siso incluso ou impactado?

    Um terceiro molar é considerado incluso ou impactado quando não consegue completar normalmente sua erupção na boca. Isso pode acontecer por falta de espaço, posição desfavorável, obstrução por outro dente ou por características do próprio desenvolvimento.

    O siso pode permanecer completamente dentro do osso, parcialmente erupcionado ou assumir posições variadas em relação ao segundo molar.

    Importante: estar incluso não significa, por si só, que o dente obrigatoriamente precise ser removido. A indicação deve considerar a situação clínica de cada terceiro molar.

    Quando o dente do siso pode precisar ser extraído?

    A remoção pode ser indicada quando o terceiro molar está associado a doença, sintomas ou prejuízo às estruturas próximas.

    • episódios recorrentes de inflamação ou infecção ao redor do dente;
    • cárie que não possa ser adequadamente tratada;
    • comprometimento pulpar ou periapical;
    • abscesso ou outras infecções relacionadas ao terceiro molar;
    • doença periodontal associada à região;
    • reabsorção do terceiro molar ou do dente vizinho;
    • alterações envolvendo o folículo dentário, incluindo determinados cistos ou tumores;
    • comprometimento do segundo molar adjacente;
    • situações em que o dente interfere em outro procedimento cirúrgico ou reconstrutivo.

    Mesmo nesses casos, a indicação deve resultar da avaliação conjunta das informações clínicas e dos exames de imagem, e não apenas da presença do terceiro molar.

    E quando o siso não dói?

    A ausência de dor é uma informação importante, mas não é suficiente para afirmar que um terceiro molar está saudável.

    Algumas alterações relacionadas aos sisos podem evoluir inicialmente sem sintomas perceptíveis. Ao mesmo tempo, existem terceiros molares assintomáticos e sem sinais de doença que podem permanecer em acompanhamento.

    “Não dói” não significa automaticamente “precisa ficar”, da mesma forma que “está incluso” não significa automaticamente “precisa extrair”.

    Todo siso incluso deve ser retirado preventivamente?

    Não existe uma indicação automática de cirurgia simplesmente porque um terceiro molar está impactado.

    Uma possibilidade é o acompanhamento clínico e radiográfico quando o dente não apresenta doença e a avaliação individual não identifica indicação atual para remoção.

    Em outros pacientes, características específicas do terceiro molar, dos dentes adjacentes, da anatomia local ou do planejamento global do tratamento podem modificar a decisão.

    Por isso, o objetivo da avaliação não é responder genericamente se “sisos devem ou não ser retirados”, mas determinar qual é a melhor conduta para cada dente naquele paciente.

    Como é feita a avaliação dos terceiros molares?

    A avaliação começa pelo exame clínico. Entre os aspectos observados estão a posição do dente, o grau de erupção, as condições da gengiva, a higiene da região, a presença de inflamação, sintomas e a condição dos dentes vizinhos.

    Os exames de imagem complementam essa análise. A radiografia panorâmica costuma fornecer uma visão geral da posição dos terceiros molares e de sua relação com estruturas anatômicas próximas.

    Em situações selecionadas, exames tridimensionais podem ser solicitados quando é necessário compreender com maior detalhe determinada relação anatômica para o planejamento.

    Por que a posição do siso inferior é importante?

    Nos terceiros molares inferiores, uma das estruturas anatômicas importantes para o planejamento é o canal mandibular, relacionado ao feixe vásculo-nervoso alveolar inferior.

    A relação entre as raízes do terceiro molar e essa região deve ser analisada antes da cirurgia. Isso permite estimar a complexidade do procedimento, discutir riscos e definir o planejamento mais adequado.

    Existe uma idade ideal para remover o siso?

    Não existe uma idade única em que todos os terceiros molares devam ser removidos.

    A idade é apenas um dos fatores considerados. O estágio de desenvolvimento do dente, a formação das raízes, sua posição, a anatomia local, as condições de saúde e a presença ou ausência de doença também participam da decisão.

    Avaliar cedo não significa necessariamente operar cedo. Significa conhecer a situação dos terceiros molares e poder tomar decisões de forma planejada.

    Como é a cirurgia para retirada do siso?

    A complexidade da cirurgia varia bastante de um paciente para outro. Alguns terceiros molares podem ser removidos com procedimentos relativamente simples. Outros estão profundamente inclusos, apresentam posições desfavoráveis ou possuem relações anatômicas que exigem planejamento cirúrgico mais cuidadoso.

    Dependendo do caso, a cirurgia pode envolver acesso à região, afastamento dos tecidos, remoção controlada de pequena quantidade de osso, divisão do dente quando necessária, remoção do terceiro molar, limpeza da área e sutura.

    O pós-operatório dói muito?

    Dor, edema e limitação temporária da abertura bucal podem ocorrer após a remoção de terceiros molares. A intensidade varia de acordo com a complexidade do procedimento e com características individuais.

    Como em qualquer cirurgia, também existem possíveis complicações, incluindo infecção, alveolite, sangramento e alterações sensitivas relacionadas a estruturas nervosas.

    Esses riscos devem ser avaliados no planejamento e explicados antes do procedimento. A orientação pós-operatória e o acompanhamento também fazem parte do tratamento.

    PESQUISA E EXPERIÊNCIA CIENTÍFICA

    Terceiros molares também fizeram parte da minha trajetória acadêmica

    Durante minha formação em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial na Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo, participei de pesquisas relacionadas à cirurgia de terceiros molares inferiores e ao controle da dor pós-operatória.

    Um desses trabalhos avaliou a utilização da eletroacupuntura como terapia complementar no controle da dor após a remoção cirúrgica de terceiros molares mandibulares impactados.

    Publicação científica

    Tavares MG, Machado AP, Motta BG, Borsatto MC, Rosa AL, Xavier SP. Electro-acupuncture efficacy on pain control after mandibular third molar surgery. Brazilian Dental Journal. 2007;18(2).

    Acessar publicação na SciELO

    Essa experiência acadêmica se soma à prática clínica e cirúrgica no planejamento individualizado dos terceiros molares.

    Então, devo tirar meus sisos?

    Talvez a pergunta mais útil não seja simplesmente “devo tirar meus sisos?”, mas:

    Qual é a situação de cada um dos meus terceiros molares?

    Depois da avaliação clínica e dos exames necessários, a decisão pode seguir caminhos diferentes.

    Três possibilidades principais

    Extrair Quando existe indicação cirúrgica após avaliação do caso.
    Acompanhar Quando não existe indicação atual para remoção e o dente pode ser monitorado.
    Investigar melhor Quando exames adicionais ou outras informações são necessários antes da decisão.

    Perguntas frequentes sobre o dente do siso

    Todo dente do siso precisa ser extraído?

    Não. A indicação depende das condições clínicas e radiográficas de cada terceiro molar.

    Siso que não dói pode ter algum problema?

    Sim. Algumas alterações podem ser assintomáticas, por isso a ausência de dor não substitui a avaliação clínica.

    Um siso incluso pode permanecer na boca?

    Em determinados casos, sim. Quando não existe indicação atual de cirurgia, pode ser adotado acompanhamento clínico e radiográfico.

    A radiografia panorâmica é suficiente?

    Frequentemente ela é utilizada na avaliação inicial. Alguns casos podem exigir exames adicionais para esclarecer relações anatômicas específicas.

    É possível retirar os quatro sisos de uma vez?

    Em alguns pacientes, sim. A decisão depende da posição dos dentes, da complexidade dos procedimentos, das condições clínicas e do planejamento individual.

    PRÓXIMO PASSO

    Este conteúdo é para você?

    Escolha o caminho de acordo com o que você procura.

    Sou paciente

    Tenho um ou mais dentes do siso e gostaria de saber se preciso de acompanhamento ou tratamento.

    Quero agendar uma avaliação
    Sou estudante de Odontologia Quero aprender terceiros molares, planejamento cirúrgico e Cirurgia Bucomaxilofacial de forma estruturada.
    Em breve na SCIORA
    Sou cirurgião-dentista Quero aprofundar meus conhecimentos e acessar conteúdos científicos e clínicos avançados.
    Em breve na SCIORA
    Dr. Marconi Tavares, cirurgião bucomaxilofacial em Brasília

    SOBRE O AUTOR

    Marconi Tavares

    Cirurgião Bucomaxilofacial • Mestre em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial • Doutor pela Universidade de Brasília

    Cirurgião-dentista formado pela Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FORP-USP), com Residência e Mestrado em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial pela FORP-USP e Doutorado pela Universidade de Brasília (UnB). Atua em Cirurgia Bucomaxilofacial, incluindo avaliação e tratamento de terceiros molares e dentes inclusos. Sua trajetória acadêmica também inclui pesquisa relacionada à cirurgia de terceiros molares inferiores e ao controle da dor pós-operatória.

    Referências e leitura complementar

    National Institute for Health and Care Excellence (NICE). Guidance on the extraction of wisdom teeth — TA1. Acessar diretriz .

    American Association of Oral and Maxillofacial Surgeons (AAOMS). Third Molar Research and Clinical Resources. Acessar recursos .

    Produção científica do autor:
    Tavares MG, Machado AP, Motta BG, Borsatto MC, Rosa AL, Xavier SP. Electro-acupuncture efficacy on pain control after mandibular third molar surgery. Brazilian Dental Journal. 2007;18(2). DOI: 10.1590/S0103-64402007000200014. Acessar artigo .

  • Como saber se preciso de Cirurgia Ortognática?

    Como saber se preciso de Cirurgia Ortognática?

    CIRURGIA ORTOGNÁTICA

    Como saber se preciso de cirurgia ortognática? Essa dúvida costuma surgir quando existe uma alteração importante na mordida, no posicionamento da mandíbula ou da maxila, uma assimetria facial ou quando o tratamento ortodôntico isolado parece não ser suficiente para corrigir o problema.

    A resposta depende principalmente de compreender onde está a origem da alteração: nos dentes, nas bases ósseas da face ou em uma combinação das duas situações.

    Quando o problema está predominantemente na posição dos dentes, a ortodontia pode ser suficiente. Quando existe uma discrepância relevante entre maxila e mandíbula, entretanto, movimentar apenas os dentes pode não corrigir adequadamente a relação entre os maxilares.

    O ponto central é este: aparelho ortodôntico movimenta dentes. Cirurgia ortognática reposiciona as bases ósseas. Quando a origem do problema é esquelética, é necessário avaliar se movimentar somente os dentes consegue realmente alcançar os objetivos do tratamento.

    Como saber se preciso de cirurgia ortognática ou apenas aparelho?

    Uma alteração na mordida pode ter componentes dentários e esqueléticos em proporções diferentes.

    Em alguns pacientes, os maxilares apresentam uma relação adequada e são principalmente os dentes que estão mal posicionados. Nesses casos, o tratamento ortodôntico pode movimentá-los até posições mais favoráveis.

    Em outros, existe uma diferença significativa de tamanho, posição ou relação entre a maxila e a mandíbula. Os dentes podem inclusive ter se inclinado ao longo do desenvolvimento numa tentativa de compensar parcialmente essa discrepância óssea.

    Alteração predominantemente dentária

    As bases ósseas apresentam relação compatível com um tratamento ortodôntico, enquanto a posição dos dentes constitui o principal componente da má oclusão.

    Nessas situações, a movimentação ortodôntica pode ser suficiente para alcançar os objetivos planejados.

    Alteração esquelética

    Existe discrepância relevante entre maxila e mandíbula ou alteração de uma das bases ósseas.

    Dependendo de sua magnitude e dos objetivos do paciente, pode ser necessário associar ortodontia à cirurgia ortognática.

    7 sinais que podem indicar necessidade de avaliação para cirurgia ortognática

    Nenhum sinal isolado confirma uma indicação cirúrgica. Entretanto, algumas características podem justificar uma avaliação específica das relações entre dentes, maxila, mandíbula e face.

    1

    Mandíbula muito projetada

    Quando a mandíbula está posicionada significativamente à frente da maxila, pode existir uma discrepância esquelética associada a uma relação de Classe III.

    Em alguns pacientes, o problema está relacionado ao excesso mandibular, à deficiência da maxila ou a uma combinação das duas condições.

    2

    Mandíbula ou queixo muito retraídos

    Uma mandíbula posicionada posteriormente em relação à maxila pode estar associada a uma discrepância esquelética de Classe II.

    É importante diferenciar a posição do queixo da posição da mandíbula como um todo, porque alterações aparentemente semelhantes podem exigir planejamentos diferentes.

    3

    Mordida aberta

    Na mordida aberta, determinados dentes superiores e inferiores não apresentam contato quando a boca está fechada.

    Existem mordidas abertas com diferentes origens. Quando há um componente esquelético importante, a investigação das bases ósseas torna-se especialmente relevante.

    4

    Assimetria facial ou desvio da mandíbula

    Diferenças entre os lados da face podem estar relacionadas a alterações de crescimento, posição ou forma dos maxilares.

    Nem toda assimetria necessita de cirurgia, mas assimetrias acompanhadas de desvio da mordida ou discrepâncias esqueléticas merecem avaliação específica.

    5

    Dificuldade importante para encaixar a mordida

    Quando as arcadas apresentam relações muito discrepantes, pode existir dificuldade para obter uma oclusão adequada apenas movimentando os dentes.

    A análise precisa determinar quanto da alteração é dentária e quanto está relacionado ao posicionamento das bases ósseas.

    6

    Alteração facial associada à mordida

    Perfil facial muito convexo ou côncavo, projeção ou retrusão mandibular, alterações verticais e outras características podem acompanhar deformidades dentofaciais.

    A aparência isoladamente não determina indicação cirúrgica. Ela deve ser analisada junto com a estrutura óssea, a mordida e a função.

    7

    O aparelho sozinho apresenta limitações para corrigir o problema

    Esse é um dos pontos mais importantes. Existem limites biológicos para a movimentação dos dentes dentro de suas bases ósseas.

    Quando a discrepância entre os maxilares ultrapassa aquilo que pode ser compensado adequadamente pela ortodontia, um tratamento ortodôntico-cirúrgico pode ser considerado.

    Classe II significa que preciso de cirurgia ortognática?

    Não necessariamente.

    Uma relação de Classe II pode apresentar diferentes componentes. Em alguns casos, existe uma discrepância esquelética importante, como uma mandíbula posicionada posteriormente. Em outros, o componente dentário permite abordagens ortodônticas sem cirurgia.

    A magnitude da discrepância, a posição dos dentes, o padrão facial, a idade, os limites da movimentação ortodôntica e os objetivos do tratamento precisam ser analisados em conjunto.

    Classe III significa que preciso operar?

    Também não.

    Na Classe III, pode existir projeção mandibular, deficiência da maxila, uma combinação das duas situações ou componentes predominantemente dentários.

    Algumas discrepâncias podem ser tratadas ortodonticamente. Outras apresentam componente esquelético suficientemente importante para que a cirurgia ortognática seja considerada como parte do tratamento.

    Classe II e Classe III são descrições da relação existente, não uma indicação automática de cirurgia. O diagnóstico precisa identificar a origem e a magnitude da discrepância.

    Quem tem mordida aberta precisa de cirurgia ortognática?

    Nem toda mordida aberta é cirúrgica.

    Existem diferentes fatores relacionados ao desenvolvimento de uma mordida aberta. O diagnóstico precisa avaliar dentes, padrão de crescimento, dimensão vertical da face, relação entre os maxilares e outros componentes.

    Quando a alteração possui componente esquelético significativo, a cirurgia ortognática pode fazer parte das possibilidades terapêuticas.

    Por que os dentes podem esconder uma deformidade dos maxilares?

    Um conceito importante no diagnóstico das deformidades dentofaciais é a compensação dentária.

    Durante o crescimento, os dentes podem apresentar inclinações que reduzem parcialmente o impacto da discrepância existente entre maxila e mandíbula.

    Isso significa que observar apenas como os dentes se encaixam pode não revelar completamente a relação entre as bases ósseas.

    No planejamento de muitos tratamentos ortodôntico-cirúrgicos, a ortodontia pré-operatória procura posicionar os dentes de forma adequada em suas respectivas bases ósseas. Esse processo é conhecido como descompensação ortodôntica.

    Como é feito o diagnóstico para cirurgia ortognática?

    Não existe um único exame capaz de responder sozinho se uma pessoa precisa ou não de cirurgia ortognática.

    O diagnóstico resulta da integração de diferentes informações. Dependendo do caso, a avaliação pode incluir:

    • história clínica e queixa principal;
    • avaliação da face de frente e de perfil;
    • exame da mordida e das relações dentárias;
    • análise da maxila e da mandíbula;
    • fotografias clínicas;
    • radiografias;
    • tomografia computadorizada quando indicada;
    • modelos ou escaneamentos digitais das arcadas;
    • avaliação ortodôntica;
    • análise dos objetivos e expectativas do paciente.

    DIAGNÓSTICO

    Não existe um “teste de cirurgia ortognática”

    A decisão não deve ser baseada somente no perfil facial, em uma fotografia, em uma radiografia ou na classificação da mordida.

    É a integração entre exame clínico, relações dentárias, estrutura esquelética, características faciais, exames de imagem e objetivos do tratamento que permite determinar se existe indicação para uma abordagem ortodôntico-cirúrgica.

    Qual é o papel do ortodontista e do cirurgião bucomaxilofacial?

    Cirurgia ortognática é, em grande parte dos casos, um tratamento interdisciplinar.

    O ortodontista avalia e planeja a movimentação dos dentes. O cirurgião bucomaxilofacial avalia a deformidade esquelética, as possibilidades de movimentação das bases ósseas, os aspectos cirúrgicos e a relação desses movimentos com a face e a função.

    Os dois planejamentos precisam conversar entre si. Não se trata simplesmente de fazer aparelho e depois operar. A posição planejada para os dentes precisa ser compatível com a posição que se pretende alcançar para os maxilares.

    É possível corrigir uma deformidade esquelética sem cirurgia?

    Depende da idade, do tipo e da magnitude da alteração e dos objetivos do tratamento.

    Durante o crescimento, determinadas abordagens ortopédicas podem influenciar o desenvolvimento em situações selecionadas. Depois que o crescimento facial está essencialmente concluído, as possibilidades de modificar a posição das bases ósseas sem cirurgia são mais limitadas.

    Em adultos, algumas discrepâncias podem ser tratadas por compensação ortodôntica. Isso significa movimentar os dentes de forma a melhorar a mordida sem reposicionar cirurgicamente os maxilares.

    Entretanto, compensação ortodôntica e correção da discrepância esquelética são conceitos diferentes. A escolha entre as estratégias depende do diagnóstico, dos limites biológicos e dos objetivos definidos para aquele paciente.

    Cirurgia ortognática é indicada por estética ou por função?

    A cirurgia ortognática é um tratamento das deformidades dentofaciais. O objetivo envolve corrigir relações inadequadas entre as bases ósseas e estabelecer condições mais favoráveis para a relação dentária e a função.

    Como maxila e mandíbula fazem parte da estrutura da face, seu reposicionamento também modifica os tecidos moles e pode produzir alterações importantes no perfil e nas proporções faciais.

    Por isso, função e equilíbrio facial não devem ser avaliados como elementos completamente separados durante o planejamento.

    APROFUNDE O ASSUNTO

    Entenda como funciona a cirurgia ortognática

    Se você já compreendeu como identificar sinais que podem justificar uma avaliação, o próximo passo é conhecer as etapas do tratamento, o planejamento ortodôntico-cirúrgico, a cirurgia e a recuperação.

    Conhecer a página sobre Cirurgia Ortognática

    Então, como saber se realmente preciso de cirurgia ortognática?

    O primeiro passo é identificar se existe uma discrepância entre as bases ósseas e compreender sua importância dentro do conjunto formado por face, maxila, mandíbula, dentes e mordida.

    Ter mandíbula projetada, queixo retraído, mordida aberta, assimetria ou Classe II ou III não significa automaticamente que uma cirurgia será necessária.

    Essas características são sinais que podem justificar uma investigação mais detalhada.

    A pergunta mais útil não é apenas “minha mordida é diferente?”. É: “essa alteração está principalmente nos dentes ou existe uma discrepância entre os ossos que sustentam esses dentes?”. Essa distinção é fundamental para definir as possibilidades de tratamento.

    Perguntas frequentes sobre indicação de cirurgia ortognática

    Como saber se preciso de cirurgia ortognática?

    É necessário avaliar se a alteração da mordida está predominantemente nos dentes ou se existe uma discrepância esquelética entre maxila e mandíbula. Exame clínico, avaliação ortodôntica e exames de imagem podem fazer parte desse diagnóstico.

    Quem tem mandíbula para frente precisa operar?

    Não necessariamente. A projeção mandibular pode ter diferentes causas e magnitudes. É necessário avaliar a relação entre maxila, mandíbula, dentes e face antes de definir o tratamento.

    Quem tem queixo para trás precisa de cirurgia ortognática?

    Não necessariamente. A aparência do queixo pode estar relacionada à mandíbula, ao próprio mento ou a uma combinação de fatores. O diagnóstico determina qual estrutura está envolvida.

    Classe III sempre precisa de cirurgia?

    Não. Existem casos com diferentes graus e componentes dentários ou esqueléticos. Alguns podem ser tratados ortodonticamente, enquanto outros podem ter indicação de tratamento ortodôntico-cirúrgico.

    Classe II sempre precisa de cirurgia?

    Não. A classificação isolada não determina a indicação. A magnitude da discrepância e a relação entre dentes, maxila, mandíbula e face precisam ser analisadas.

    Posso fazer cirurgia ortognática sem aparelho?

    Existem diferentes protocolos, mas tradicionalmente a ortodontia participa do planejamento antes e depois da cirurgia. A estratégia depende das características do caso e deve ser definida pela equipe responsável.

    O ortodontista pode dizer se preciso de cirurgia?

    O ortodontista tem papel fundamental na identificação e no planejamento das deformidades dentofaciais. Quando existe possibilidade de tratamento cirúrgico, a avaliação conjunta com o cirurgião bucomaxilofacial permite integrar o planejamento dentário e esquelético.

    PRÓXIMO PASSO

    O que você procura?

    Escolha o caminho mais adequado para você.

    Sou paciente

    Tenho uma alteração na mordida, mandíbula, maxila ou assimetria facial e gostaria de saber se meu caso pode ter indicação de cirurgia ortognática.

    Agendar avaliação
    Sou estudante de Odontologia Quero aprender diagnóstico das deformidades dentofaciais, planejamento e princípios da Cirurgia Ortognática.
    Em breve na SCIORA
    Sou cirurgião-dentista Quero aprofundar conhecimentos sobre diagnóstico, integração ortodôntico-cirúrgica e planejamento das deformidades dentofaciais.
    Em breve na SCIORA
    Dr. Marconi Tavares, cirurgião bucomaxilofacial em Brasília

    SOBRE O AUTOR

    Marconi Tavares

    Cirurgião Bucomaxilofacial • Mestre em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial • Doutor pela Universidade de Brasília

    Cirurgião-dentista formado pela Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FORP-USP), com Residência e Mestrado em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial pela FORP-USP e Doutorado pela Universidade de Brasília (UnB). Atua em Cirurgia Bucomaxilofacial, incluindo diagnóstico e tratamento das deformidades dentofaciais e Cirurgia Ortognática, além de atividades assistenciais, acadêmicas e de formação profissional.

    Fontes e leitura complementar

    American Association of Oral and Maxillofacial Surgeons (AAOMS). Indications for Orthognathic Surgery. Acessar documento .

    American Association of Oral and Maxillofacial Surgeons. Corrective Jaw Surgery. Acessar conteúdo .

    Mayo Clinic. Jaw surgery. Acessar conteúdo .


    Nota: este conteúdo tem caráter informativo e não permite determinar, isoladamente, se existe indicação de cirurgia ortognática. O diagnóstico depende de avaliação clínica individual, exames e planejamento profissional.