CIRURGIA ORTOGNÁTICA
Como saber se preciso de cirurgia ortognática? Essa dúvida costuma surgir quando existe uma alteração importante na mordida, no posicionamento da mandíbula ou da maxila, uma assimetria facial ou quando o tratamento ortodôntico isolado parece não ser suficiente para corrigir o problema.
A resposta depende principalmente de compreender onde está a origem da alteração: nos dentes, nas bases ósseas da face ou em uma combinação das duas situações.
Quando o problema está predominantemente na posição dos dentes, a ortodontia pode ser suficiente. Quando existe uma discrepância relevante entre maxila e mandíbula, entretanto, movimentar apenas os dentes pode não corrigir adequadamente a relação entre os maxilares.
O ponto central é este: aparelho ortodôntico movimenta dentes. Cirurgia ortognática reposiciona as bases ósseas. Quando a origem do problema é esquelética, é necessário avaliar se movimentar somente os dentes consegue realmente alcançar os objetivos do tratamento.
Como saber se preciso de cirurgia ortognática ou apenas aparelho?
Uma alteração na mordida pode ter componentes dentários e esqueléticos em proporções diferentes.
Em alguns pacientes, os maxilares apresentam uma relação adequada e são principalmente os dentes que estão mal posicionados. Nesses casos, o tratamento ortodôntico pode movimentá-los até posições mais favoráveis.
Em outros, existe uma diferença significativa de tamanho, posição ou relação entre a maxila e a mandíbula. Os dentes podem inclusive ter se inclinado ao longo do desenvolvimento numa tentativa de compensar parcialmente essa discrepância óssea.
Alteração predominantemente dentária
As bases ósseas apresentam relação compatível com um tratamento ortodôntico, enquanto a posição dos dentes constitui o principal componente da má oclusão.
Nessas situações, a movimentação ortodôntica pode ser suficiente para alcançar os objetivos planejados.
Alteração esquelética
Existe discrepância relevante entre maxila e mandíbula ou alteração de uma das bases ósseas.
Dependendo de sua magnitude e dos objetivos do paciente, pode ser necessário associar ortodontia à cirurgia ortognática.
7 sinais que podem indicar necessidade de avaliação para cirurgia ortognática
Nenhum sinal isolado confirma uma indicação cirúrgica. Entretanto, algumas características podem justificar uma avaliação específica das relações entre dentes, maxila, mandíbula e face.
1
Mandíbula muito projetada
Quando a mandíbula está posicionada significativamente à frente da maxila, pode existir uma discrepância esquelética associada a uma relação de Classe III.
Em alguns pacientes, o problema está relacionado ao excesso mandibular, à deficiência da maxila ou a uma combinação das duas condições.
2
Mandíbula ou queixo muito retraídos
Uma mandíbula posicionada posteriormente em relação à maxila pode estar associada a uma discrepância esquelética de Classe II.
É importante diferenciar a posição do queixo da posição da mandíbula como um todo, porque alterações aparentemente semelhantes podem exigir planejamentos diferentes.
3
Mordida aberta
Na mordida aberta, determinados dentes superiores e inferiores não apresentam contato quando a boca está fechada.
Existem mordidas abertas com diferentes origens. Quando há um componente esquelético importante, a investigação das bases ósseas torna-se especialmente relevante.
4
Assimetria facial ou desvio da mandíbula
Diferenças entre os lados da face podem estar relacionadas a alterações de crescimento, posição ou forma dos maxilares.
Nem toda assimetria necessita de cirurgia, mas assimetrias acompanhadas de desvio da mordida ou discrepâncias esqueléticas merecem avaliação específica.
5
Dificuldade importante para encaixar a mordida
Quando as arcadas apresentam relações muito discrepantes, pode existir dificuldade para obter uma oclusão adequada apenas movimentando os dentes.
A análise precisa determinar quanto da alteração é dentária e quanto está relacionado ao posicionamento das bases ósseas.
6
Alteração facial associada à mordida
Perfil facial muito convexo ou côncavo, projeção ou retrusão mandibular, alterações verticais e outras características podem acompanhar deformidades dentofaciais.
A aparência isoladamente não determina indicação cirúrgica. Ela deve ser analisada junto com a estrutura óssea, a mordida e a função.
7
O aparelho sozinho apresenta limitações para corrigir o problema
Esse é um dos pontos mais importantes. Existem limites biológicos para a movimentação dos dentes dentro de suas bases ósseas.
Quando a discrepância entre os maxilares ultrapassa aquilo que pode ser compensado adequadamente pela ortodontia, um tratamento ortodôntico-cirúrgico pode ser considerado.
Classe II significa que preciso de cirurgia ortognática?
Não necessariamente.
Uma relação de Classe II pode apresentar diferentes componentes. Em alguns casos, existe uma discrepância esquelética importante, como uma mandíbula posicionada posteriormente. Em outros, o componente dentário permite abordagens ortodônticas sem cirurgia.
A magnitude da discrepância, a posição dos dentes, o padrão facial, a idade, os limites da movimentação ortodôntica e os objetivos do tratamento precisam ser analisados em conjunto.
Classe III significa que preciso operar?
Também não.
Na Classe III, pode existir projeção mandibular, deficiência da maxila, uma combinação das duas situações ou componentes predominantemente dentários.
Algumas discrepâncias podem ser tratadas ortodonticamente. Outras apresentam componente esquelético suficientemente importante para que a cirurgia ortognática seja considerada como parte do tratamento.
Classe II e Classe III são descrições da relação existente, não uma indicação automática de cirurgia. O diagnóstico precisa identificar a origem e a magnitude da discrepância.
Quem tem mordida aberta precisa de cirurgia ortognática?
Nem toda mordida aberta é cirúrgica.
Existem diferentes fatores relacionados ao desenvolvimento de uma mordida aberta. O diagnóstico precisa avaliar dentes, padrão de crescimento, dimensão vertical da face, relação entre os maxilares e outros componentes.
Quando a alteração possui componente esquelético significativo, a cirurgia ortognática pode fazer parte das possibilidades terapêuticas.
Por que os dentes podem esconder uma deformidade dos maxilares?
Um conceito importante no diagnóstico das deformidades dentofaciais é a compensação dentária.
Durante o crescimento, os dentes podem apresentar inclinações que reduzem parcialmente o impacto da discrepância existente entre maxila e mandíbula.
Isso significa que observar apenas como os dentes se encaixam pode não revelar completamente a relação entre as bases ósseas.
No planejamento de muitos tratamentos ortodôntico-cirúrgicos, a ortodontia pré-operatória procura posicionar os dentes de forma adequada em suas respectivas bases ósseas. Esse processo é conhecido como descompensação ortodôntica.
Como é feito o diagnóstico para cirurgia ortognática?
Não existe um único exame capaz de responder sozinho se uma pessoa precisa ou não de cirurgia ortognática.
O diagnóstico resulta da integração de diferentes informações. Dependendo do caso, a avaliação pode incluir:
- história clínica e queixa principal;
- avaliação da face de frente e de perfil;
- exame da mordida e das relações dentárias;
- análise da maxila e da mandíbula;
- fotografias clínicas;
- radiografias;
- tomografia computadorizada quando indicada;
- modelos ou escaneamentos digitais das arcadas;
- avaliação ortodôntica;
- análise dos objetivos e expectativas do paciente.
DIAGNÓSTICO
Não existe um “teste de cirurgia ortognática”
A decisão não deve ser baseada somente no perfil facial, em uma fotografia, em uma radiografia ou na classificação da mordida.
É a integração entre exame clínico, relações dentárias, estrutura esquelética, características faciais, exames de imagem e objetivos do tratamento que permite determinar se existe indicação para uma abordagem ortodôntico-cirúrgica.
Qual é o papel do ortodontista e do cirurgião bucomaxilofacial?
Cirurgia ortognática é, em grande parte dos casos, um tratamento interdisciplinar.
O ortodontista avalia e planeja a movimentação dos dentes. O cirurgião bucomaxilofacial avalia a deformidade esquelética, as possibilidades de movimentação das bases ósseas, os aspectos cirúrgicos e a relação desses movimentos com a face e a função.
Os dois planejamentos precisam conversar entre si. Não se trata simplesmente de fazer aparelho e depois operar. A posição planejada para os dentes precisa ser compatível com a posição que se pretende alcançar para os maxilares.
É possível corrigir uma deformidade esquelética sem cirurgia?
Depende da idade, do tipo e da magnitude da alteração e dos objetivos do tratamento.
Durante o crescimento, determinadas abordagens ortopédicas podem influenciar o desenvolvimento em situações selecionadas. Depois que o crescimento facial está essencialmente concluído, as possibilidades de modificar a posição das bases ósseas sem cirurgia são mais limitadas.
Em adultos, algumas discrepâncias podem ser tratadas por compensação ortodôntica. Isso significa movimentar os dentes de forma a melhorar a mordida sem reposicionar cirurgicamente os maxilares.
Entretanto, compensação ortodôntica e correção da discrepância esquelética são conceitos diferentes. A escolha entre as estratégias depende do diagnóstico, dos limites biológicos e dos objetivos definidos para aquele paciente.
Cirurgia ortognática é indicada por estética ou por função?
A cirurgia ortognática é um tratamento das deformidades dentofaciais. O objetivo envolve corrigir relações inadequadas entre as bases ósseas e estabelecer condições mais favoráveis para a relação dentária e a função.
Como maxila e mandíbula fazem parte da estrutura da face, seu reposicionamento também modifica os tecidos moles e pode produzir alterações importantes no perfil e nas proporções faciais.
Por isso, função e equilíbrio facial não devem ser avaliados como elementos completamente separados durante o planejamento.
APROFUNDE O ASSUNTO
Entenda como funciona a cirurgia ortognática
Se você já compreendeu como identificar sinais que podem justificar uma avaliação, o próximo passo é conhecer as etapas do tratamento, o planejamento ortodôntico-cirúrgico, a cirurgia e a recuperação.
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Então, como saber se realmente preciso de cirurgia ortognática?
O primeiro passo é identificar se existe uma discrepância entre as bases ósseas e compreender sua importância dentro do conjunto formado por face, maxila, mandíbula, dentes e mordida.
Ter mandíbula projetada, queixo retraído, mordida aberta, assimetria ou Classe II ou III não significa automaticamente que uma cirurgia será necessária.
Essas características são sinais que podem justificar uma investigação mais detalhada.
A pergunta mais útil não é apenas “minha mordida é diferente?”. É: “essa alteração está principalmente nos dentes ou existe uma discrepância entre os ossos que sustentam esses dentes?”. Essa distinção é fundamental para definir as possibilidades de tratamento.
Perguntas frequentes sobre indicação de cirurgia ortognática
Como saber se preciso de cirurgia ortognática?
É necessário avaliar se a alteração da mordida está predominantemente nos dentes ou se existe uma discrepância esquelética entre maxila e mandíbula. Exame clínico, avaliação ortodôntica e exames de imagem podem fazer parte desse diagnóstico.
Quem tem mandíbula para frente precisa operar?
Não necessariamente. A projeção mandibular pode ter diferentes causas e magnitudes. É necessário avaliar a relação entre maxila, mandíbula, dentes e face antes de definir o tratamento.
Quem tem queixo para trás precisa de cirurgia ortognática?
Não necessariamente. A aparência do queixo pode estar relacionada à mandíbula, ao próprio mento ou a uma combinação de fatores. O diagnóstico determina qual estrutura está envolvida.
Classe III sempre precisa de cirurgia?
Não. Existem casos com diferentes graus e componentes dentários ou esqueléticos. Alguns podem ser tratados ortodonticamente, enquanto outros podem ter indicação de tratamento ortodôntico-cirúrgico.
Classe II sempre precisa de cirurgia?
Não. A classificação isolada não determina a indicação. A magnitude da discrepância e a relação entre dentes, maxila, mandíbula e face precisam ser analisadas.
Posso fazer cirurgia ortognática sem aparelho?
Existem diferentes protocolos, mas tradicionalmente a ortodontia participa do planejamento antes e depois da cirurgia. A estratégia depende das características do caso e deve ser definida pela equipe responsável.
O ortodontista pode dizer se preciso de cirurgia?
O ortodontista tem papel fundamental na identificação e no planejamento das deformidades dentofaciais. Quando existe possibilidade de tratamento cirúrgico, a avaliação conjunta com o cirurgião bucomaxilofacial permite integrar o planejamento dentário e esquelético.
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Quero aprofundar conhecimentos sobre diagnóstico, integração ortodôntico-cirúrgica e planejamento das deformidades dentofaciais.
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SOBRE O AUTOR
Marconi Tavares
Cirurgião Bucomaxilofacial • Mestre em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial • Doutor pela Universidade de Brasília
Cirurgião-dentista formado pela Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FORP-USP), com Residência e Mestrado em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial pela FORP-USP e Doutorado pela Universidade de Brasília (UnB). Atua em Cirurgia Bucomaxilofacial, incluindo diagnóstico e tratamento das deformidades dentofaciais e Cirurgia Ortognática, além de atividades assistenciais, acadêmicas e de formação profissional.
Fontes e leitura complementar
American Association of Oral and Maxillofacial Surgeons (AAOMS).
Indications for Orthognathic Surgery.
Acessar documento
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American Association of Oral and Maxillofacial Surgeons.
Corrective Jaw Surgery.
Acessar conteúdo
.
Mayo Clinic.
Jaw surgery.
Acessar conteúdo
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Nota: este conteúdo tem caráter informativo e não permite determinar, isoladamente, se existe indicação de cirurgia ortognática. O diagnóstico depende de avaliação clínica individual, exames e planejamento profissional.