Autor: Dr. Marconi Tavares

  • Dor de Dente ao Mastigar: Quando Pode Ser Necessário Tratamento de Canal?

    Dor de Dente ao Mastigar: Quando Pode Ser Necessário Tratamento de Canal?

    ENDODONTIA

    Nem toda dor de dente ao mastigar significa necessidade de tratamento de canal. Mas ignorar o sintoma também não é a melhor estratégia. Entender os mecanismos por trás dessa dor ajuda a compreender por que a avaliação profissional é o único caminho para um diagnóstico correto.

    O dente parece ser a origem óbvia da dor, mas em alguns casos o problema real está em uma estrutura adjacente — ligamento periodontal, gengiva ou dentes vizinhos.

    O que pode causar dor de dente ao mastigar

    A dor de dente ao mastigar pode estar relacionada a alterações do dente (cáries profundas, trincas ou restaurações comprometidas), do ligamento periodontal, da gengiva ou de estruturas vizinhas. Compreender qual dessas origens está envolvida é o objetivo do diagnóstico.

    Quando pode ser a polpa

    Cáries profundas, trincas ou traumas podem causar alterações irreversíveis na polpa dentária, gerando dor ao morder por pressão sobre a área inflamada.

    Quando pode ser outra causa

    Cáries superficiais, alterações gengivais, sobrecarga da mordida e trincas também podem causar dor ao mastigar sem necessidade de canal.

    Sinais que merecem atenção

    Dor espontânea

    Surge sem estímulo, especialmente quando intensa ou persistente.

    Sensibilidade prolongada

    Dor ao frio ou calor que permanece após a retirada do estímulo.

    Inchaço na gengiva

    Próximo ao dente afetado, pode indicar processo infeccioso.

    Dente escurecido

    Alteração de cor, especialmente após trauma, precisa investigação.

    Dor latejante

    Pode estar associada a processos inflamatórios ou infecciosos.

    Trauma recente

    Pode produzir alterações pulpares imediatas ou tardias.

    Por que o diagnóstico vem antes do tratamento

    Cáries, fraturas, alterações gengivais, trincas e sobrecarga da mordida também podem causar dor ao mastigar sem que exista necessidade de tratamento de canal. Por isso, a avaliação clínica — com exame físico e, quando necessário, exames de imagem — é o que determina se o tratamento endodôntico é indicado ou se a origem da dor está em outra estrutura.

    O que fazer enquanto aguarda a avaliação

    Se você está sentindo dor de dente ao mastigar e ainda não conseguiu agendar uma avaliação, evite mastigar do lado afetado, prefira alimentos mais macios temporariamente e não aplique calor local, já que isso pode agravar um eventual processo inflamatório ou infeccioso. Analgésicos podem aliviar o sintoma pontualmente, mas não tratam a causa — o alívio da dor não significa que o problema foi resolvido. Caso surja inchaço no rosto, febre ou dificuldade para abrir a boca, a avaliação deve ser buscada com prioridade, pois esses sinais podem indicar um quadro infeccioso mais extenso.

    Perguntas frequentes

    Tratamento de canal dói?

    O procedimento é realizado com anestesia local. A intensidade dos sintomas antes e depois varia conforme diagnóstico e características individuais.

    Toda dor de dente precisa de canal?

    Não. O diagnóstico precisa identificar a origem antes da indicação de tratamento endodôntico.

    Um dente com canal fica morto?

    A polpa deixa de estar presente, mas o dente permanece integrado aos tecidos ao redor e pode exercer função normalmente quando restaurado.

    Canal pode evitar a extração?

    Em muitos casos, sim — faz parte da tentativa de preservar um dente com condições de manutenção.

    PRÓRIR BRASÍLIA

    Atendimento em Endodontia na PróRir Brasília

    A consulta permite investigar a origem da dor, avaliar necessidade de tratamento endodôntico e verificar as condições estruturais do dente.

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    A avaliação identifica a origem do sintoma antes de qualquer decisão de tratamento.

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    Dr. Marconi Tavares, cirurgião bucomaxilofacial em Brasília

    SOBRE O AUTOR

    Marconi Tavares

    Cirurgião Bucomaxilofacial • Especialista em Harmonização Orofacial • Mestre em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial • Doutor pela Universidade de Brasília

    Cirurgião-dentista formado pela Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FORP-USP), com Residência e Mestrado em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial pela FORP-USP, Doutorado pela Universidade de Brasília (UnB) e especialização em Harmonização Orofacial. Atua em Cirurgia Bucomaxilofacial, Implantodontia e Harmonização Orofacial, integrando prática clínica, anatomia, planejamento facial, ensino e produção científica.


    Nota: este conteúdo tem caráter informativo e não substitui consulta, diagnóstico, exames ou planejamento profissional individualizado.

  • Gengiva Sangrando: Quando é Gengivite ou Periodontite?

    Gengiva Sangrando: Quando é Gengivite ou Periodontite?

    PERIODONTIA

    Sangrar ao escovar os dentes não deve ser considerado normal. Esse sinal costuma estar relacionado a algum grau de inflamação gengival — e entender se essa inflamação está limitada à gengiva ou já envolve os tecidos de suporte dos dentes é o que define o tratamento correto.

    A ausência de dor não significa ausência de doença. A doença periodontal pode evoluir de forma lenta e silenciosa. Muitos pacientes só procuram avaliação quando já existe mobilidade dentária — momento em que a perda de suporte pode estar em estágio avançado.

    Gengivite e periodontite são a mesma coisa?

    Não. Embora ambas envolvam inflamação relacionada aos tecidos periodontais, apresentam características e consequências diferentes. Essa distinção é importante no diagnóstico, porque a presença ou não de perda de suporte interfere diretamente no planejamento do tratamento.

    Gengivite

    Condição inflamatória que afeta principalmente a gengiva, com sinais como sangramento, vermelhidão e aumento de volume. Ainda não há perda dos tecidos de suporte — por isso tende a ser reversível.

    Periodontite

    Envolve perda dos tecidos de suporte dos dentes, podendo produzir bolsas periodontais, alterações ósseas e mobilidade dentária em estágios mais avançados.

    Sinais que merecem avaliação

    Sangramento gengival

    Ao escovar ou usar fio dental, pode indicar inflamação e não deve ser ignorado.

    Gengiva inchada

    Aumento de volume, vermelhidão ou sensibilidade merecem avaliação.

    Retração gengival

    Exposição da raiz pode ter diferentes causas e precisa de diagnóstico.

    Mau hálito persistente

    Pode estar associado a alterações periodontais e merece investigação.

    Dentes com mobilidade

    Pode indicar comprometimento dos tecidos de suporte.

    Mudança de posição

    Alterações progressivas podem estar ligadas à perda de suporte.

    Como é feita a avaliação periodontal

    1

    Exame clínico

    Avaliação da gengiva, dentes, biofilme, cálculo e sinais inflamatórios.

    2

    Sondagem periodontal

    Medições clínicas avaliam a profundidade dos espaços ao redor dos dentes.

    3

    Exames de imagem

    Radiografias avaliam o tecido ósseo quando necessário.

    4

    Plano de controle

    Definição de tratamento, higiene e acompanhamento.

    Perguntas frequentes

    Gengivite pode virar periodontite?

    Nem todo paciente com gengivite desenvolve periodontite. Inflamação, fatores de risco e susceptibilidade individual influenciam essa progressão.

    Periodontite sempre causa dor?

    Não. A doença periodontal pode evoluir com poucos sintomas, especialmente em fases iniciais.

    Limpeza dental trata periodontite?

    Profilaxia preventiva e tratamento periodontal não são a mesma coisa. Quando existe doença periodontal, procedimentos específicos podem ser necessários.

    Dente mole pode voltar a ficar firme?

    Depende da causa e do grau de comprometimento dos tecidos de suporte, avaliado individualmente.

    PRÓRIR BRASÍLIA

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    A avaliação periodontal na PróRir Brasília permite examinar gengiva e tecidos de suporte, investigar sinais inflamatórios e definir a necessidade de tratamento ou manutenção.

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    Sua gengiva sangra ou você notou alterações ao redor dos dentes?

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    Dr. Marconi Tavares, cirurgião bucomaxilofacial em Brasília

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    Nota: este conteúdo tem caráter informativo e não substitui consulta, diagnóstico, exames ou planejamento profissional individualizado.

  • Toxina botulínica x preenchimento: qual é a diferença?

    Toxina botulínica x preenchimento: qual é a diferença?

    HARMONIZAÇÃO OROFACIAL

    Toxina botulínica e preenchimento facial não são a mesma coisa. Apesar de aparecerem frequentemente associados quando se fala em Harmonização Orofacial, eles possuem mecanismos de ação diferentes e são utilizados para objetivos distintos.

    De forma simples: a toxina botulínica atua principalmente sobre a atividade muscular. Os preenchedores atuam modificando volume, suporte ou contorno em regiões selecionadas.

    A pergunta mais importante não é “toxina ou preenchedor?”. Primeiro é necessário identificar o que está causando a alteração que incomoda o paciente. Só depois faz sentido escolher o recurso adequado.

    Qual é a diferença entre toxina botulínica e preenchimento?

    TOXINA BOTULÍNICA

    Modulação da atividade muscular

    A toxina botulínica é um medicamento biológico que reduz temporariamente a atividade de músculos específicos na região tratada.

    Na estética facial, pode ser utilizada quando o movimento muscular participa da formação de determinadas linhas de expressão ou quando se deseja modificar temporariamente a ação de determinados músculos.

    PREENCHEDORES

    Volume, suporte e contorno

    Preenchedores são produtos injetáveis utilizados para modificar volume, suporte ou contorno de determinadas regiões.

    Existem diferentes materiais. O ácido hialurônico é um dos mais utilizados na estética facial, mas a indicação depende da região, do produto e do objetivo do tratamento.

    Comparação rápida

    Toxina botulínica Preenchimento
    Principal ação Modifica temporariamente a atividade muscular Modifica volume, suporte ou contorno
    É a mesma substância? Não Não
    Adiciona volume? Não é sua função principal Pode adicionar ou redistribuir suporte e volume conforme indicação
    Age sobre músculos? Sim, temporariamente Não é seu principal mecanismo de ação
    Planejamento Depende da anatomia e dinâmica muscular Depende da anatomia, região, produto e objetivo
    Resultado permanente? Não Depende do produto; muitos preenchedores utilizados na face são temporários

    ASSISTA À EXPLICAÇÃO

    Toxina botulínica ou preenchedor?

    Veja no vídeo uma explicação direta sobre por que esses dois recursos são diferentes e como a indicação depende da alteração que está sendo avaliada.

    Movimento muscular ou necessidade de suporte?

    A toxina botulínica atua principalmente reduzindo temporariamente a atividade de músculos selecionados. Já os preenchedores modificam características estruturais como volume, suporte e contorno.

    Por isso, duas alterações aparentemente semelhantes podem exigir abordagens completamente diferentes. O diagnóstico da causa é o que orienta a escolha do procedimento.

    Assistir também no YouTube

    Como funciona a toxina botulínica?

    A contração muscular depende da comunicação entre nervos e fibras musculares. A toxina botulínica interfere temporariamente nessa transmissão na região em que é aplicada, reduzindo a atividade de determinados músculos.

    Por isso, o planejamento não deve ser baseado apenas na presença de uma linha na pele. É necessário observar como o paciente movimenta a face, quais músculos participam daquele movimento e como uma alteração de sua atividade poderá modificar a expressão.

    Como funcionam os preenchedores?

    Preenchedores são materiais injetáveis destinados a produzir efeitos estruturais em tecidos, como modificação de volume, suporte ou contorno.

    O ácido hialurônico está entre os materiais utilizados em procedimentos estéticos faciais. Porém, diferentes produtos apresentam características próprias e não devem ser considerados equivalentes entre si.

    Região anatômica, profundidade, quantidade, características do produto e objetivo do tratamento precisam ser definidos durante o planejamento.

    Uma linha no rosto sempre precisa de toxina?

    Não. Uma linha ou alteração de contorno pode ter diferentes componentes.

    Movimento muscular, alterações de volume, qualidade dos tecidos, suporte estrutural e características individuais podem participar em proporções diferentes.

    Tratar o sinal sem compreender a causa pode significar escolher o procedimento errado. É por isso que a avaliação facial precede a escolha entre toxina botulínica, preenchedor ou qualquer outra abordagem.

    É possível usar os dois no mesmo planejamento?

    Sim. Como possuem mecanismos diferentes, toxina botulínica e preenchedores podem fazer parte de um mesmo planejamento quando existem indicações independentes para cada um.

    Isso não significa que todos os pacientes precisem das duas abordagens. Em alguns casos pode existir indicação apenas para toxina, em outros apenas para preenchimento, e em outros nenhum dos dois procedimentos pode ser a melhor alternativa.

    Como é feito o planejamento?

    1

    Entender a queixa

    O primeiro passo é identificar o que o paciente percebe e quais mudanças realmente deseja.

    2

    Avaliar a face em repouso e movimento

    A anatomia estática e a dinâmica muscular precisam ser observadas separadamente.

    3

    Identificar a causa

    Movimento muscular, volume, suporte, tecidos e proporções podem participar da alteração observada.

    4

    Definir a indicação

    Apenas depois dessa análise é possível discutir se toxina, preenchimento ou outra abordagem faz sentido.

    Naturalidade depende de planejamento

    Anatomia

    Conhecer músculos, vasos, planos e estruturas da face é fundamental para indicação e execução.

    Proporção

    Uma região não deve ser analisada isoladamente do restante da face.

    Moderação

    Mais produto ou mais pontos de aplicação não significam necessariamente um resultado melhor.

    Toxina botulínica e preenchimento apresentam riscos?

    Sim. Ambos são procedimentos injetáveis e podem apresentar efeitos adversos e complicações.

    SEGURANÇA

    Procedimentos minimamente invasivos não são procedimentos sem risco

    Na toxina botulínica podem ocorrer efeitos relacionados à aplicação, à ação muscular e, raramente, efeitos sistêmicos. A indicação e a técnica precisam respeitar produto, anatomia, dose e condições individuais.

    Preenchedores também podem apresentar eventos adversos, incluindo reações locais, inflamação, irregularidades e complicações vasculares.

    Por isso, segurança envolve indicação correta, conhecimento anatômico, seleção adequada do produto, técnica, rastreabilidade e capacidade de reconhecer e conduzir intercorrências.

    Quanto tempo duram os efeitos?

    Não existe um tempo único aplicável a todas as pessoas.

    O efeito da toxina botulínica é temporário e varia de acordo com fatores individuais, produto, dose, região e resposta biológica.

    Nos preenchedores, a duração depende do material, características do produto, região tratada, quantidade utilizada e metabolismo individual.

    Qual dos dois é melhor?

    Essa comparação não é adequada porque toxina e preenchimento não desempenham a mesma função.

    É como comparar ferramentas diferentes: a melhor escolha depende do problema que precisa ser tratado.

    O melhor procedimento não é o mais conhecido ou o mais solicitado. É aquele que apresenta indicação para a necessidade identificada naquele paciente.

    Perguntas frequentes

    Botox é preenchimento?

    Não. “Botox” é uma marca associada à toxina botulínica. A toxina atua principalmente sobre atividade muscular e não funciona como preenchedor.

    Toxina botulínica aumenta o volume do rosto?

    Essa não é sua função principal. Sua ação está relacionada à modulação temporária da atividade muscular.

    Preenchimento paralisa músculos?

    Não é esse o seu mecanismo principal. Preenchedores são utilizados para modificar características estruturais como volume, suporte ou contorno.

    Posso fazer toxina e preenchimento no mesmo dia?

    Em determinadas situações diferentes procedimentos podem fazer parte do mesmo planejamento. A decisão depende das indicações, produtos, regiões e condições individuais.

    Qual deixa o rosto mais natural?

    Naturalidade não depende apenas do tipo de procedimento. Indicação, planejamento, anatomia, técnica e quantidade utilizada são fatores importantes.

    Preenchimento com ácido hialurônico é permanente?

    Não. Os preenchedores de ácido hialurônico são considerados temporários, embora a duração varie de acordo com o produto, região e características individuais.

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    Marconi Tavares

    Cirurgião Bucomaxilofacial • Especialista em Harmonização Orofacial • Mestre em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial • Doutor pela Universidade de Brasília

    Cirurgião-dentista formado pela Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FORP-USP), com Residência e Mestrado em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial pela FORP-USP, Doutorado pela Universidade de Brasília (UnB) e especialização em Harmonização Orofacial. Atua em Cirurgia Bucomaxilofacial, Implantodontia e Harmonização Orofacial, integrando prática clínica, anatomia, planejamento facial, ensino e produção científica.

    Fontes e leitura complementar

    • Agência Nacional de Vigilância Sanitária — orientações e informes de segurança sobre toxina botulínica e preenchedores dérmicos.
    • Maci M, et al. Botulinum Toxin Type A and Hyaluronic Acid Dermal Fillers in Dentistry: A Systematic Review of Clinical Application and Indications. Journal of Clinical Medicine Research. 2024.
    • Signorini M, et al. Global Aesthetics Consensus: Avoidance and Management of Complications from Hyaluronic Acid Fillers. Plastic and Reconstructive Surgery. 2016.
    • Kyriazidis I, et al. Adverse Events Associated with Hyaluronic Acid Filler Injection for Non-surgical Facial Aesthetics. Aesthetic Plastic Surgery. 2024.

    Nota: este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação, diagnóstico, consentimento informado ou planejamento profissional individualizado.

  • Implante dentário: como funciona e quando ele é indicado?

    Implante dentário: como funciona e quando ele é indicado?

    IMPLANTODONTIA

    O tratamento com implantes dentários não se resume à instalação de um implante no osso. Ele envolve diagnóstico, planejamento, cirurgia, osseointegração e uma etapa protética destinada a reconstruir o dente ou os dentes ausentes.

    Cada paciente apresenta condições anatômicas, ósseas, dentárias e funcionais diferentes. Por isso, o número de implantes, sua posição e a sequência do tratamento precisam ser definidos individualmente.

    O planejamento deve começar pela futura prótese. Primeiro é necessário compreender qual dente ou conjunto de dentes precisa ser reconstruído. A partir disso é definida a posição mais adequada para os implantes.

    O que é um implante dentário?

    O implante dentário é uma estrutura instalada cirurgicamente no tecido ósseo para servir de suporte a uma futura reabilitação protética.

    Na maior parte dos sistemas atuais, o implante é confeccionado em titânio ou em materiais compatíveis com o organismo e apresenta características de superfície destinadas a favorecer sua integração ao tecido ósseo.

    Depois da instalação, ocorre um processo biológico conhecido como osseointegração, fundamental para a estabilidade funcional da reabilitação.

    Quando os implantes podem ser utilizados?

    Perda de um dente

    Um implante pode ser utilizado como suporte para substituir um único dente em casos selecionados.

    Perda de vários dentes

    Implantes podem fazer parte de diferentes estratégias para reabilitações parciais.

    Perda de todos os dentes

    Reabilitações totais fixas ou removíveis podem utilizar implantes como elementos de suporte e retenção.

    Quais são as fases do tratamento com implantes?

    1

    Avaliação

    São avaliadas as condições da boca, dentes, gengiva, mordida, tecido ósseo, saúde geral e objetivos do paciente.

    2

    Planejamento

    Exames clínicos e de imagem ajudam a determinar posição, número de implantes e necessidade de procedimentos complementares.

    3

    Instalação do implante

    O implante é instalado cirurgicamente na posição previamente planejada.

    4

    Osseointegração

    Durante a cicatrização ocorre a interação entre a superfície do implante e o tecido ósseo.

    5

    Reabilitação protética

    Após a etapa cirúrgica e conforme o protocolo escolhido, é confeccionada ou instalada a prótese planejada.

    ASSISTA À EXPLICAÇÃO

    Implante dentário: fases do tratamento

    Neste vídeo explico, de forma resumida, como o tratamento com implantes se organiza desde a avaliação inicial até a etapa de reabilitação.

    Como funciona o tratamento?

    O implante é apenas uma das etapas. Avaliação, planejamento, cirurgia, cicatrização e reabilitação protética precisam ser pensados como partes de um mesmo processo.

    A posição do implante deve ser planejada considerando a futura prótese, as condições anatômicas e a quantidade e qualidade do tecido ósseo disponível.

    Assistir também no YouTube

    O que é osseointegração?

    Osseointegração é a relação estrutural e funcional estabelecida entre o tecido ósseo e a superfície do implante.

    Esse processo é influenciado por diferentes fatores, como estabilidade inicial, características do tecido ósseo, superfície do implante, técnica cirúrgica e condições biológicas do paciente.

    Por isso, o tempo entre a cirurgia e a instalação definitiva da prótese não é necessariamente igual em todos os casos.

    O que significa carga imediata?

    Em situações selecionadas, uma prótese provisória pode ser instalada sobre o implante ou sobre um conjunto de implantes em um intervalo reduzido após a cirurgia.

    Isso não significa que todos os implantes possam receber carga imediatamente. A decisão depende de estabilidade, distribuição das forças, tipo de reabilitação e outros critérios clínicos.

    Todo paciente precisa de enxerto ósseo?

    Não.

    A necessidade de enxerto depende da quantidade e da configuração do tecido ósseo disponível em relação à posição necessária para o implante.

    A pergunta não é apenas “há osso suficiente?”. É preciso avaliar se existe tecido ósseo adequado na posição necessária para que o implante possa atender ao planejamento da futura prótese.

    Implante unitário e protocolo: o planejamento é o mesmo?

    Não. Um implante utilizado para substituir um único dente e uma reabilitação total do tipo protocolo apresentam objetivos e exigências biomecânicas diferentes.

    Implante unitário

    É planejado para substituir um dente específico.

    A posição do implante precisa considerar a futura coroa, relação com dentes vizinhos, tecidos moles, osso e espaço disponível.

    Reabilitação tipo protocolo

    Utiliza múltiplos implantes para dar suporte a uma prótese destinada à reabilitação de uma arcada.

    Quantidade, distribuição e posição dos implantes precisam considerar anatomia, tecido ósseo, desenho da prótese e distribuição das cargas.

    ASSISTA À EXPLICAÇÃO

    Implante unitário ou protocolo: como muda o planejamento?

    Neste segundo vídeo, explico por que reabilitar um único dente e planejar uma prótese protocolo são situações diferentes.

    O número de dentes ausentes não define sozinho o planejamento

    A posição e a quantidade dos implantes precisam ser definidas de acordo com a futura reabilitação, anatomia, disponibilidade óssea e distribuição das cargas.

    Esse raciocínio ajuda a entender por que um tratamento unitário e uma reabilitação total não devem ser planejados da mesma forma.

    Assistir também no YouTube

    É possível instalar o implante logo após a extração?

    Em determinados casos, sim. Esse protocolo é conhecido como instalação imediata do implante.

    A indicação depende das condições do local, anatomia, presença ou controle de doença, quantidade de tecido ósseo e possibilidade de obter estabilidade adequada.

    CIÊNCIA & IMPLANTODONTIA

    Osseointegração fez parte da minha formação científica

    Durante o Mestrado em Cirurgia Buco-Maxilo-Facial na FORP-USP, desenvolvi pesquisa relacionada ao processo de osseointegração de implantes de titânio e à resposta óssea às características da superfície dos implantes.

    Minha produção científica também inclui trabalhos relacionados à osteogênese, superfícies de titânio, estabilidade de implantes e outros temas associados à Implantodontia.

    Ver Produção Científica

    Implantes precisam de manutenção?

    Sim. O tratamento não termina com a instalação da prótese.

    Higiene adequada, acompanhamento dos tecidos ao redor dos implantes, avaliação da prótese e controle dos fatores de risco fazem parte da manutenção em longo prazo.

    Implante dura para sempre?

    Não é adequado prometer duração vitalícia.

    Implantes podem apresentar resultados de longo prazo, mas sua manutenção depende de diferentes fatores, incluindo higiene, condições dos tecidos, hábitos, controle de doenças, desenho da reabilitação e acompanhamento profissional.

    Perguntas frequentes sobre implantes dentários

    Quem tem pouco osso pode colocar implante?

    Em muitos casos existem alternativas reconstrutivas ou estratégias diferentes. A possibilidade depende da anatomia e do planejamento individual.

    Implante dentário dói?

    A cirurgia é realizada com anestesia. No período pós-operatório podem ocorrer dor, edema e desconforto em intensidade variável conforme o procedimento.

    É possível sair com dentes no mesmo dia?

    Em casos selecionados pode ser possível instalar uma prótese provisória em curto intervalo após a cirurgia. Isso depende de critérios clínicos e biomecânicos.

    Implante e prótese são a mesma coisa?

    Não. O implante é instalado no tecido ósseo. A prótese é a estrutura responsável por substituir o dente ou conjunto de dentes.

    Todo implante precisa esperar meses antes da prótese?

    Não necessariamente. Existem diferentes protocolos, e o tempo depende da estabilidade, do tipo de reabilitação, da cicatrização e de outros fatores.

    Qual é melhor: implante unitário ou protocolo?

    Não são tratamentos concorrentes. São estratégias indicadas para situações diferentes, dependendo do número de dentes ausentes e do tipo de reabilitação necessária.

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    Cirurgião Bucomaxilofacial • Especialista em Implantodontia • Mestre em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial • Doutor pela Universidade de Brasília

    Cirurgião-dentista formado pela Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FORP-USP), com Residência e Mestrado em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial pela FORP-USP e Doutorado pela Universidade de Brasília (UnB). Atua em Cirurgia Bucomaxilofacial e Implantodontia, incluindo planejamento cirúrgico, reconstrução óssea e reabilitação com implantes dentários. Sua formação científica também inclui pesquisas relacionadas à osseointegração, resposta óssea e superfícies de implantes de titânio.


    Nota: este conteúdo tem caráter informativo e não substitui consulta, diagnóstico, exames, consentimento ou planejamento profissional individualizado.

  • Dente do siso: quando precisa extrair e quando pode ser acompanhado?

    Dente do siso: quando precisa extrair e quando pode ser acompanhado?

    CIRURGIA BUCOMAXILOFACIAL

    Os dentes do siso, também chamados de terceiros molares, são os últimos dentes permanentes a se desenvolver. Uma das dúvidas mais comuns é: afinal, todo siso precisa ser retirado?

    A resposta é não. A decisão entre extrair ou acompanhar um terceiro molar depende da posição do dente, das condições dos tecidos ao redor, da presença de doença, da relação com os dentes vizinhos, da possibilidade de higienização e de outros fatores identificados durante a avaliação clínica e radiográfica.

    O que é um dente do siso incluso ou impactado?

    Um terceiro molar é considerado incluso ou impactado quando não consegue completar normalmente sua erupção na boca. Isso pode acontecer por falta de espaço, posição desfavorável, obstrução por outro dente ou por características do próprio desenvolvimento.

    O siso pode permanecer completamente dentro do osso, parcialmente erupcionado ou assumir posições variadas em relação ao segundo molar.

    Importante: estar incluso não significa, por si só, que o dente obrigatoriamente precise ser removido. A indicação deve considerar a situação clínica de cada terceiro molar.

    Quando o dente do siso pode precisar ser extraído?

    A remoção pode ser indicada quando o terceiro molar está associado a doença, sintomas ou prejuízo às estruturas próximas.

    • episódios recorrentes de inflamação ou infecção ao redor do dente;
    • cárie que não possa ser adequadamente tratada;
    • comprometimento pulpar ou periapical;
    • abscesso ou outras infecções relacionadas ao terceiro molar;
    • doença periodontal associada à região;
    • reabsorção do terceiro molar ou do dente vizinho;
    • alterações envolvendo o folículo dentário, incluindo determinados cistos ou tumores;
    • comprometimento do segundo molar adjacente;
    • situações em que o dente interfere em outro procedimento cirúrgico ou reconstrutivo.

    Mesmo nesses casos, a indicação deve resultar da avaliação conjunta das informações clínicas e dos exames de imagem, e não apenas da presença do terceiro molar.

    E quando o siso não dói?

    A ausência de dor é uma informação importante, mas não é suficiente para afirmar que um terceiro molar está saudável.

    Algumas alterações relacionadas aos sisos podem evoluir inicialmente sem sintomas perceptíveis. Ao mesmo tempo, existem terceiros molares assintomáticos e sem sinais de doença que podem permanecer em acompanhamento.

    “Não dói” não significa automaticamente “precisa ficar”, da mesma forma que “está incluso” não significa automaticamente “precisa extrair”.

    Todo siso incluso deve ser retirado preventivamente?

    Não existe uma indicação automática de cirurgia simplesmente porque um terceiro molar está impactado.

    Uma possibilidade é o acompanhamento clínico e radiográfico quando o dente não apresenta doença e a avaliação individual não identifica indicação atual para remoção.

    Em outros pacientes, características específicas do terceiro molar, dos dentes adjacentes, da anatomia local ou do planejamento global do tratamento podem modificar a decisão.

    Por isso, o objetivo da avaliação não é responder genericamente se “sisos devem ou não ser retirados”, mas determinar qual é a melhor conduta para cada dente naquele paciente.

    Como é feita a avaliação dos terceiros molares?

    A avaliação começa pelo exame clínico. Entre os aspectos observados estão a posição do dente, o grau de erupção, as condições da gengiva, a higiene da região, a presença de inflamação, sintomas e a condição dos dentes vizinhos.

    Os exames de imagem complementam essa análise. A radiografia panorâmica costuma fornecer uma visão geral da posição dos terceiros molares e de sua relação com estruturas anatômicas próximas.

    Em situações selecionadas, exames tridimensionais podem ser solicitados quando é necessário compreender com maior detalhe determinada relação anatômica para o planejamento.

    Por que a posição do siso inferior é importante?

    Nos terceiros molares inferiores, uma das estruturas anatômicas importantes para o planejamento é o canal mandibular, relacionado ao feixe vásculo-nervoso alveolar inferior.

    A relação entre as raízes do terceiro molar e essa região deve ser analisada antes da cirurgia. Isso permite estimar a complexidade do procedimento, discutir riscos e definir o planejamento mais adequado.

    Existe uma idade ideal para remover o siso?

    Não existe uma idade única em que todos os terceiros molares devam ser removidos.

    A idade é apenas um dos fatores considerados. O estágio de desenvolvimento do dente, a formação das raízes, sua posição, a anatomia local, as condições de saúde e a presença ou ausência de doença também participam da decisão.

    Avaliar cedo não significa necessariamente operar cedo. Significa conhecer a situação dos terceiros molares e poder tomar decisões de forma planejada.

    Como é a cirurgia para retirada do siso?

    A complexidade da cirurgia varia bastante de um paciente para outro. Alguns terceiros molares podem ser removidos com procedimentos relativamente simples. Outros estão profundamente inclusos, apresentam posições desfavoráveis ou possuem relações anatômicas que exigem planejamento cirúrgico mais cuidadoso.

    Dependendo do caso, a cirurgia pode envolver acesso à região, afastamento dos tecidos, remoção controlada de pequena quantidade de osso, divisão do dente quando necessária, remoção do terceiro molar, limpeza da área e sutura.

    O pós-operatório dói muito?

    Dor, edema e limitação temporária da abertura bucal podem ocorrer após a remoção de terceiros molares. A intensidade varia de acordo com a complexidade do procedimento e com características individuais.

    Como em qualquer cirurgia, também existem possíveis complicações, incluindo infecção, alveolite, sangramento e alterações sensitivas relacionadas a estruturas nervosas.

    Esses riscos devem ser avaliados no planejamento e explicados antes do procedimento. A orientação pós-operatória e o acompanhamento também fazem parte do tratamento.

    PESQUISA E EXPERIÊNCIA CIENTÍFICA

    Terceiros molares também fizeram parte da minha trajetória acadêmica

    Durante minha formação em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial na Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo, participei de pesquisas relacionadas à cirurgia de terceiros molares inferiores e ao controle da dor pós-operatória.

    Um desses trabalhos avaliou a utilização da eletroacupuntura como terapia complementar no controle da dor após a remoção cirúrgica de terceiros molares mandibulares impactados.

    Publicação científica

    Tavares MG, Machado AP, Motta BG, Borsatto MC, Rosa AL, Xavier SP. Electro-acupuncture efficacy on pain control after mandibular third molar surgery. Brazilian Dental Journal. 2007;18(2).

    Acessar publicação na SciELO

    Essa experiência acadêmica se soma à prática clínica e cirúrgica no planejamento individualizado dos terceiros molares.

    Então, devo tirar meus sisos?

    Talvez a pergunta mais útil não seja simplesmente “devo tirar meus sisos?”, mas:

    Qual é a situação de cada um dos meus terceiros molares?

    Depois da avaliação clínica e dos exames necessários, a decisão pode seguir caminhos diferentes.

    Três possibilidades principais

    Extrair Quando existe indicação cirúrgica após avaliação do caso.
    Acompanhar Quando não existe indicação atual para remoção e o dente pode ser monitorado.
    Investigar melhor Quando exames adicionais ou outras informações são necessários antes da decisão.

    Perguntas frequentes sobre o dente do siso

    Todo dente do siso precisa ser extraído?

    Não. A indicação depende das condições clínicas e radiográficas de cada terceiro molar.

    Siso que não dói pode ter algum problema?

    Sim. Algumas alterações podem ser assintomáticas, por isso a ausência de dor não substitui a avaliação clínica.

    Um siso incluso pode permanecer na boca?

    Em determinados casos, sim. Quando não existe indicação atual de cirurgia, pode ser adotado acompanhamento clínico e radiográfico.

    A radiografia panorâmica é suficiente?

    Frequentemente ela é utilizada na avaliação inicial. Alguns casos podem exigir exames adicionais para esclarecer relações anatômicas específicas.

    É possível retirar os quatro sisos de uma vez?

    Em alguns pacientes, sim. A decisão depende da posição dos dentes, da complexidade dos procedimentos, das condições clínicas e do planejamento individual.

    PRÓXIMO PASSO

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    Tenho um ou mais dentes do siso e gostaria de saber se preciso de acompanhamento ou tratamento.

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    Sou cirurgião-dentista Quero aprofundar meus conhecimentos e acessar conteúdos científicos e clínicos avançados.
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    Dr. Marconi Tavares, cirurgião bucomaxilofacial em Brasília

    SOBRE O AUTOR

    Marconi Tavares

    Cirurgião Bucomaxilofacial • Mestre em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial • Doutor pela Universidade de Brasília

    Cirurgião-dentista formado pela Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FORP-USP), com Residência e Mestrado em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial pela FORP-USP e Doutorado pela Universidade de Brasília (UnB). Atua em Cirurgia Bucomaxilofacial, incluindo avaliação e tratamento de terceiros molares e dentes inclusos. Sua trajetória acadêmica também inclui pesquisa relacionada à cirurgia de terceiros molares inferiores e ao controle da dor pós-operatória.

    Referências e leitura complementar

    National Institute for Health and Care Excellence (NICE). Guidance on the extraction of wisdom teeth — TA1. Acessar diretriz .

    American Association of Oral and Maxillofacial Surgeons (AAOMS). Third Molar Research and Clinical Resources. Acessar recursos .

    Produção científica do autor:
    Tavares MG, Machado AP, Motta BG, Borsatto MC, Rosa AL, Xavier SP. Electro-acupuncture efficacy on pain control after mandibular third molar surgery. Brazilian Dental Journal. 2007;18(2). DOI: 10.1590/S0103-64402007000200014. Acessar artigo .

  • Como saber se preciso de Cirurgia Ortognática?

    Como saber se preciso de Cirurgia Ortognática?

    CIRURGIA ORTOGNÁTICA

    Como saber se preciso de cirurgia ortognática? Essa dúvida costuma surgir quando existe uma alteração importante na mordida, no posicionamento da mandíbula ou da maxila, uma assimetria facial ou quando o tratamento ortodôntico isolado parece não ser suficiente para corrigir o problema.

    A resposta depende principalmente de compreender onde está a origem da alteração: nos dentes, nas bases ósseas da face ou em uma combinação das duas situações.

    Quando o problema está predominantemente na posição dos dentes, a ortodontia pode ser suficiente. Quando existe uma discrepância relevante entre maxila e mandíbula, entretanto, movimentar apenas os dentes pode não corrigir adequadamente a relação entre os maxilares.

    O ponto central é este: aparelho ortodôntico movimenta dentes. Cirurgia ortognática reposiciona as bases ósseas. Quando a origem do problema é esquelética, é necessário avaliar se movimentar somente os dentes consegue realmente alcançar os objetivos do tratamento.

    Como saber se preciso de cirurgia ortognática ou apenas aparelho?

    Uma alteração na mordida pode ter componentes dentários e esqueléticos em proporções diferentes.

    Em alguns pacientes, os maxilares apresentam uma relação adequada e são principalmente os dentes que estão mal posicionados. Nesses casos, o tratamento ortodôntico pode movimentá-los até posições mais favoráveis.

    Em outros, existe uma diferença significativa de tamanho, posição ou relação entre a maxila e a mandíbula. Os dentes podem inclusive ter se inclinado ao longo do desenvolvimento numa tentativa de compensar parcialmente essa discrepância óssea.

    Alteração predominantemente dentária

    As bases ósseas apresentam relação compatível com um tratamento ortodôntico, enquanto a posição dos dentes constitui o principal componente da má oclusão.

    Nessas situações, a movimentação ortodôntica pode ser suficiente para alcançar os objetivos planejados.

    Alteração esquelética

    Existe discrepância relevante entre maxila e mandíbula ou alteração de uma das bases ósseas.

    Dependendo de sua magnitude e dos objetivos do paciente, pode ser necessário associar ortodontia à cirurgia ortognática.

    7 sinais que podem indicar necessidade de avaliação para cirurgia ortognática

    Nenhum sinal isolado confirma uma indicação cirúrgica. Entretanto, algumas características podem justificar uma avaliação específica das relações entre dentes, maxila, mandíbula e face.

    1

    Mandíbula muito projetada

    Quando a mandíbula está posicionada significativamente à frente da maxila, pode existir uma discrepância esquelética associada a uma relação de Classe III.

    Em alguns pacientes, o problema está relacionado ao excesso mandibular, à deficiência da maxila ou a uma combinação das duas condições.

    2

    Mandíbula ou queixo muito retraídos

    Uma mandíbula posicionada posteriormente em relação à maxila pode estar associada a uma discrepância esquelética de Classe II.

    É importante diferenciar a posição do queixo da posição da mandíbula como um todo, porque alterações aparentemente semelhantes podem exigir planejamentos diferentes.

    3

    Mordida aberta

    Na mordida aberta, determinados dentes superiores e inferiores não apresentam contato quando a boca está fechada.

    Existem mordidas abertas com diferentes origens. Quando há um componente esquelético importante, a investigação das bases ósseas torna-se especialmente relevante.

    4

    Assimetria facial ou desvio da mandíbula

    Diferenças entre os lados da face podem estar relacionadas a alterações de crescimento, posição ou forma dos maxilares.

    Nem toda assimetria necessita de cirurgia, mas assimetrias acompanhadas de desvio da mordida ou discrepâncias esqueléticas merecem avaliação específica.

    5

    Dificuldade importante para encaixar a mordida

    Quando as arcadas apresentam relações muito discrepantes, pode existir dificuldade para obter uma oclusão adequada apenas movimentando os dentes.

    A análise precisa determinar quanto da alteração é dentária e quanto está relacionado ao posicionamento das bases ósseas.

    6

    Alteração facial associada à mordida

    Perfil facial muito convexo ou côncavo, projeção ou retrusão mandibular, alterações verticais e outras características podem acompanhar deformidades dentofaciais.

    A aparência isoladamente não determina indicação cirúrgica. Ela deve ser analisada junto com a estrutura óssea, a mordida e a função.

    7

    O aparelho sozinho apresenta limitações para corrigir o problema

    Esse é um dos pontos mais importantes. Existem limites biológicos para a movimentação dos dentes dentro de suas bases ósseas.

    Quando a discrepância entre os maxilares ultrapassa aquilo que pode ser compensado adequadamente pela ortodontia, um tratamento ortodôntico-cirúrgico pode ser considerado.

    Classe II significa que preciso de cirurgia ortognática?

    Não necessariamente.

    Uma relação de Classe II pode apresentar diferentes componentes. Em alguns casos, existe uma discrepância esquelética importante, como uma mandíbula posicionada posteriormente. Em outros, o componente dentário permite abordagens ortodônticas sem cirurgia.

    A magnitude da discrepância, a posição dos dentes, o padrão facial, a idade, os limites da movimentação ortodôntica e os objetivos do tratamento precisam ser analisados em conjunto.

    Classe III significa que preciso operar?

    Também não.

    Na Classe III, pode existir projeção mandibular, deficiência da maxila, uma combinação das duas situações ou componentes predominantemente dentários.

    Algumas discrepâncias podem ser tratadas ortodonticamente. Outras apresentam componente esquelético suficientemente importante para que a cirurgia ortognática seja considerada como parte do tratamento.

    Classe II e Classe III são descrições da relação existente, não uma indicação automática de cirurgia. O diagnóstico precisa identificar a origem e a magnitude da discrepância.

    Quem tem mordida aberta precisa de cirurgia ortognática?

    Nem toda mordida aberta é cirúrgica.

    Existem diferentes fatores relacionados ao desenvolvimento de uma mordida aberta. O diagnóstico precisa avaliar dentes, padrão de crescimento, dimensão vertical da face, relação entre os maxilares e outros componentes.

    Quando a alteração possui componente esquelético significativo, a cirurgia ortognática pode fazer parte das possibilidades terapêuticas.

    Por que os dentes podem esconder uma deformidade dos maxilares?

    Um conceito importante no diagnóstico das deformidades dentofaciais é a compensação dentária.

    Durante o crescimento, os dentes podem apresentar inclinações que reduzem parcialmente o impacto da discrepância existente entre maxila e mandíbula.

    Isso significa que observar apenas como os dentes se encaixam pode não revelar completamente a relação entre as bases ósseas.

    No planejamento de muitos tratamentos ortodôntico-cirúrgicos, a ortodontia pré-operatória procura posicionar os dentes de forma adequada em suas respectivas bases ósseas. Esse processo é conhecido como descompensação ortodôntica.

    Como é feito o diagnóstico para cirurgia ortognática?

    Não existe um único exame capaz de responder sozinho se uma pessoa precisa ou não de cirurgia ortognática.

    O diagnóstico resulta da integração de diferentes informações. Dependendo do caso, a avaliação pode incluir:

    • história clínica e queixa principal;
    • avaliação da face de frente e de perfil;
    • exame da mordida e das relações dentárias;
    • análise da maxila e da mandíbula;
    • fotografias clínicas;
    • radiografias;
    • tomografia computadorizada quando indicada;
    • modelos ou escaneamentos digitais das arcadas;
    • avaliação ortodôntica;
    • análise dos objetivos e expectativas do paciente.

    DIAGNÓSTICO

    Não existe um “teste de cirurgia ortognática”

    A decisão não deve ser baseada somente no perfil facial, em uma fotografia, em uma radiografia ou na classificação da mordida.

    É a integração entre exame clínico, relações dentárias, estrutura esquelética, características faciais, exames de imagem e objetivos do tratamento que permite determinar se existe indicação para uma abordagem ortodôntico-cirúrgica.

    Qual é o papel do ortodontista e do cirurgião bucomaxilofacial?

    Cirurgia ortognática é, em grande parte dos casos, um tratamento interdisciplinar.

    O ortodontista avalia e planeja a movimentação dos dentes. O cirurgião bucomaxilofacial avalia a deformidade esquelética, as possibilidades de movimentação das bases ósseas, os aspectos cirúrgicos e a relação desses movimentos com a face e a função.

    Os dois planejamentos precisam conversar entre si. Não se trata simplesmente de fazer aparelho e depois operar. A posição planejada para os dentes precisa ser compatível com a posição que se pretende alcançar para os maxilares.

    É possível corrigir uma deformidade esquelética sem cirurgia?

    Depende da idade, do tipo e da magnitude da alteração e dos objetivos do tratamento.

    Durante o crescimento, determinadas abordagens ortopédicas podem influenciar o desenvolvimento em situações selecionadas. Depois que o crescimento facial está essencialmente concluído, as possibilidades de modificar a posição das bases ósseas sem cirurgia são mais limitadas.

    Em adultos, algumas discrepâncias podem ser tratadas por compensação ortodôntica. Isso significa movimentar os dentes de forma a melhorar a mordida sem reposicionar cirurgicamente os maxilares.

    Entretanto, compensação ortodôntica e correção da discrepância esquelética são conceitos diferentes. A escolha entre as estratégias depende do diagnóstico, dos limites biológicos e dos objetivos definidos para aquele paciente.

    Cirurgia ortognática é indicada por estética ou por função?

    A cirurgia ortognática é um tratamento das deformidades dentofaciais. O objetivo envolve corrigir relações inadequadas entre as bases ósseas e estabelecer condições mais favoráveis para a relação dentária e a função.

    Como maxila e mandíbula fazem parte da estrutura da face, seu reposicionamento também modifica os tecidos moles e pode produzir alterações importantes no perfil e nas proporções faciais.

    Por isso, função e equilíbrio facial não devem ser avaliados como elementos completamente separados durante o planejamento.

    APROFUNDE O ASSUNTO

    Entenda como funciona a cirurgia ortognática

    Se você já compreendeu como identificar sinais que podem justificar uma avaliação, o próximo passo é conhecer as etapas do tratamento, o planejamento ortodôntico-cirúrgico, a cirurgia e a recuperação.

    Conhecer a página sobre Cirurgia Ortognática

    Então, como saber se realmente preciso de cirurgia ortognática?

    O primeiro passo é identificar se existe uma discrepância entre as bases ósseas e compreender sua importância dentro do conjunto formado por face, maxila, mandíbula, dentes e mordida.

    Ter mandíbula projetada, queixo retraído, mordida aberta, assimetria ou Classe II ou III não significa automaticamente que uma cirurgia será necessária.

    Essas características são sinais que podem justificar uma investigação mais detalhada.

    A pergunta mais útil não é apenas “minha mordida é diferente?”. É: “essa alteração está principalmente nos dentes ou existe uma discrepância entre os ossos que sustentam esses dentes?”. Essa distinção é fundamental para definir as possibilidades de tratamento.

    Perguntas frequentes sobre indicação de cirurgia ortognática

    Como saber se preciso de cirurgia ortognática?

    É necessário avaliar se a alteração da mordida está predominantemente nos dentes ou se existe uma discrepância esquelética entre maxila e mandíbula. Exame clínico, avaliação ortodôntica e exames de imagem podem fazer parte desse diagnóstico.

    Quem tem mandíbula para frente precisa operar?

    Não necessariamente. A projeção mandibular pode ter diferentes causas e magnitudes. É necessário avaliar a relação entre maxila, mandíbula, dentes e face antes de definir o tratamento.

    Quem tem queixo para trás precisa de cirurgia ortognática?

    Não necessariamente. A aparência do queixo pode estar relacionada à mandíbula, ao próprio mento ou a uma combinação de fatores. O diagnóstico determina qual estrutura está envolvida.

    Classe III sempre precisa de cirurgia?

    Não. Existem casos com diferentes graus e componentes dentários ou esqueléticos. Alguns podem ser tratados ortodonticamente, enquanto outros podem ter indicação de tratamento ortodôntico-cirúrgico.

    Classe II sempre precisa de cirurgia?

    Não. A classificação isolada não determina a indicação. A magnitude da discrepância e a relação entre dentes, maxila, mandíbula e face precisam ser analisadas.

    Posso fazer cirurgia ortognática sem aparelho?

    Existem diferentes protocolos, mas tradicionalmente a ortodontia participa do planejamento antes e depois da cirurgia. A estratégia depende das características do caso e deve ser definida pela equipe responsável.

    O ortodontista pode dizer se preciso de cirurgia?

    O ortodontista tem papel fundamental na identificação e no planejamento das deformidades dentofaciais. Quando existe possibilidade de tratamento cirúrgico, a avaliação conjunta com o cirurgião bucomaxilofacial permite integrar o planejamento dentário e esquelético.

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    Dr. Marconi Tavares, cirurgião bucomaxilofacial em Brasília

    SOBRE O AUTOR

    Marconi Tavares

    Cirurgião Bucomaxilofacial • Mestre em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial • Doutor pela Universidade de Brasília

    Cirurgião-dentista formado pela Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FORP-USP), com Residência e Mestrado em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial pela FORP-USP e Doutorado pela Universidade de Brasília (UnB). Atua em Cirurgia Bucomaxilofacial, incluindo diagnóstico e tratamento das deformidades dentofaciais e Cirurgia Ortognática, além de atividades assistenciais, acadêmicas e de formação profissional.

    Fontes e leitura complementar

    American Association of Oral and Maxillofacial Surgeons (AAOMS). Indications for Orthognathic Surgery. Acessar documento .

    American Association of Oral and Maxillofacial Surgeons. Corrective Jaw Surgery. Acessar conteúdo .

    Mayo Clinic. Jaw surgery. Acessar conteúdo .


    Nota: este conteúdo tem caráter informativo e não permite determinar, isoladamente, se existe indicação de cirurgia ortognática. O diagnóstico depende de avaliação clínica individual, exames e planejamento profissional.